Leitura bíblica pós-moderna
Publicado por angszam em 20 Março, 2009
Há quase 20 anos eu ouvi um sermão de um pregador negro norte-americano chamado Tom Skinner que abalou minhas estruturas. Foi um daqueles defining moments da vida. Tom Skinner nasceu e cresceu no Harlem, bairro negro de Nova Iorque, na década de 1940 onde, segundo ele, “era comum acordar no meio da noite com os gritos de uma mãe que havia percebido que seu bebê de suas semanas de vida fora mordido por uma ratazana até morrer”. Depois de ter sido líder de uma violenta gangue de rua na adolescência, Skinner experimentou o poder transformador do Evangelho e tornou-se um líder respeitado na luta contra a injustiça e a pobreza, e a favor da reconciliação racial. Tom Skinner costumava dizer: “Se Cristo é a resposta, quais são as perguntas?”
O que ouvi Skinner pregar que ainda hoje ecoa em meus ouvidos é sobre a nossa tendência comum de ler a Bíblia sem o compromisso de uma interpretação correta da mesma. Ele falava sobre o que era comum em muitos grupos pequenos de estudo bíblico nos EUA (e talvez não apenas lá, mas em muitas partes do mundo). Um grupo de cristãos se reunia em uma casa para estudar a Bíblia. Eles escolhiam um texto para ler e, depois da leitura, o “líder” do grupo se dirigia a cada um dos participantes e pedia para que cada um expressasse o que aquela passagem significava para si. Depois de todos terem falado o que a passagem lida significava para si mesmo, o estudo bíblico era encerrado, geralmente com uma oração. “E todos saiam de lá sabendo o que aquela passagem significava para fulano e sicrano, mas sem saber exatamente qual era o significado real da passagem”, dizia Skinner. Era por isso, ele apontava, que havia milhares de grupos de estudo bíblico nos EUA se reunindo em lares a cada semana e, no entanto, produzindo tão pouco em termos de mudança de vida e da sociedade norte-americana. Era pela falta de um compromisso com uma leitura e interpretação séria da Bíblia, que muitos americanos de classe-média podiam ler a Bíblia sem levar em consideração as centenas de versos que falam sobre o compromisso de Deus com os pobres (e o chamado para que o povo de Deus tenha um compromisso semelhante) e o clamor profético pela justiça social. E é esse estudo subjetivo e descompromissado das Escrituras que parece estar ganhando força novamente.
Uma das regras básicas de interpretação bíblica é que a Escritura é a sua própria intérprete. Antes de perguntar o que uma passagem significa para mim hoje (ou para qualquer pessoa), uma interpretação ortodoxa das Escrituras exige que eu me empenhe em descobrir o que essa passagem significava para o escritor da mesma e para os seus leitores na época em que foi escrita. Muitas vezes é preciso considerar também a relação dessa passagem específica com o restante das Escrituras que tratam do mesmo tema. Somente depois de ter feito isso é que eu posso perguntar o que a passagem significa para mim hoje. Sem esses passos, dificilmente teremos uma leitura transformadora das Escrituras. E o que mais a geração emergente de discípulos de Jesus deseja – uma revolução espiritual – não irá acontecer.
Tudo isso soa ultrapassado e estreito demais para aqueles que estão seguindo as idéias pós-modernas como lente e filtro para a leitura da Bíblia e a prática da fé cristã. Para estes, não há significado algum no texto a não ser o significado dado pelo leitor do texto. O conclusão lógica para esse tipo de leitura bíblica é a relativização das Escrituras e, conseqüentemente sua perda de qualquer autoridade (uma vez que a autoridade é transferida para o leitor e intérprete do texto). Este é um caminho perigoso e infrutífero que muitos cristãos emergentes serão tentados a seguir nestes tempos de pós-modernidade. A ironia disso é que, embora a igreja emergente esteja buscando um novo Cristianismo, se seguir por esse caminho de leitura e interpretação das Escrituras, estará repetindo os erros que marcaram o liberalismo alemão do início do século passado e que levaram boa parte da Europa a ser morta espiritualmente como hoje.
Jesus disse: “As minhas palavras são espírito e vida”. Quando a Bíblia se torna relativa por meio de uma leitura e interpretação sob as lentes do pós-modernismo, o futuro da igreja que segue por esse caminho tem cheiro morte.
Por Sandro Bagio, 28 de julho de 2008, em http://www.renovatiocafe.com/index.php/Artigos/Emergente/Leitura-Biblica-Pos-Moderna.html?mosmsg=Agradecemos+seu+voto!#josc205
Enviado em 1 | Deixar um comentário »
Ariovaldo Ramos – A igreja da multidão e a Igreja dos discípulos
Publicado por angszam em 11 Março, 2009
Enviado em 1 | Deixar um comentário »
Algumas de Rob Bell
Publicado por angszam em 4 Março, 2009
“Para mim, o terceiro caminho de Jesus é sempre perguntar se existe uma trilha subversiva, brilhante e criativa.”
“Na minha experiência, vi pessoas através do espectro, odiando as igrejas para serem apaixonadamente envolvidos em igrejas fazendo grandes atos de cicatrização e restauração.”
“Estamos numa convergência muito incomum de poder, igreja, religião e Jesus, onde um pastor cristão ora na inauguração presidencial. O que isso quer dizer?”
“Estou astuto de pessoas que têm idéias muito claras sobre o que estão fazendo a partir de fora de si mesmas. ‘Você deve entender que estou fazendo isso e isso’. Eu diria que nos últimos 10 anos tentei convidar pessoas para confiar em Jesus. Você pode confiar em Jesus. Você pode confiar no seu passado, presente e futuro; pecados, erros, dinheiro, sexualidade. Eu penso que Jesus pode ser confiado.
Freqüentemente ponho dessa maneira: se existe um Deus – alguma sorte de ser divino, mente, espírito, e tudo isso não é somente uma chance fortuita -, a história tem algo a ver com isso e você tem uma conexão com o que quer que seja – isso é incrível. Duro e incrível e criativo e desafiador e provocante.
Existe um grupo que diz que esse ser divino, quem quer que seja, esteve entre nós como carne e sangue. Andrew Sullivan fala sobre essa imensa ocasião que o mundo não pode suportar. Então uma igreja seria esse mistura contraditória entre presunção – uma tumba aberta- e entre humildade e mistério. As contas da Ressurreição estão bagunçadas e não enfileiradas uma com a outra. Até agora algo momentâneo tem arrebentado à frente o meio da história. Você somente tem que ter fé, e consegue apanhar alguma coisa.
Gosto de dizer que pratico o misticismo militante. Estou realmente certo de algumas coisas que não sei completamente.”
Excertos da entrevista por Mark Galli, para Christianity Today International, traduzida por Sulamita Ricardo, para o site Cristianismo Hoje, em “A grande história” – http://www.cristianismohoje.com.br/retrancas/A%20grande%20hist%F3ria/38421
Enviado em 1 | Deixar um comentário »
Rob Bell 03 – Trees
Publicado por angszam em 3 Março, 2009
Com legendas em português-BR, que não necessitam ser acionadas.
Enviado em 1 | Deixar um comentário »
Do Homo-Sapiens ao Homo-Christus
Publicado por angszam em 2 Fevereiro, 2009
Não rejeite ao que fala com você; porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram as advertências feitas na terra, muito menos nós, se nos desviarmos Daquele que dos céus nos fala.
Dele é a Voz que já moveu a terra muitas vezes ao falar, mas agora Ele mesmo anunciou, dizendo: “Ainda uma vez moverei, não só a terra, mas também o céu.”
E esta palavra: Ainda uma vez…, mostra a mutabilidade das presentes coisas, como sendo coisas corruptíveis, e propõe a direção das coisas permanentes.
Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a Graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade; Porque o nosso Deus é um fogo consumidor.
As palavras acima são de alguém que de fato conhece a natureza de Deus por experiência.
Ele sabia que o caminho de Deus vai de perfeição em perfeição, conforme a fase da jornada; e sabia que Deus cria abalando e removendo, refazendo, apontando na direção que venha a corporificar a incorruptibilidade, mas que primeiro se tem que conhecer as coisas corruptíveis, a fim de que se herde as incorruptíveis.
A viagem toda do Cosmo e de todas as existências — apontam na direção de crescimento e de evolução.
No entanto, a evolução que quase nenhum evolucionista deseja admitir, é esta evolução proposta pela revelação de Deus, e relatada pelo escritor da carta aos Hebreus: a evolução das coisas corruptíveis para as coisas incorruptíveis; a jornada para além das estrelas; o caminho ao clímax supremo; o patamar do máximo de tudo; a transformação do ser em plenitude divina pela absorção da natureza divina pela via da Palavra da Vida [conforme diz Pedro na 1ª epístola].
Aí é demais…
Sim! Pois a evolução que o homem quer e reconhece na natureza das coisas que se corrompem, é a evolução dentro da mortalidade; aliás, é evolução em razão da própria mortalidade de todas as criaturas.
Afinal, a busca do homem é por imortalidade e não por vida eterna.
Desse modo, se quer evoluções dentro da mortalidade e da corruptibilidade, mas não na direção da vida eterna.
O salto, no entanto, na direção dessa última evolução, é dado contra o instinto de sobrevivência, contra o “si mesmo”.
Na evolução natural privilegia-se o “si mesmo”, pois, é a sobrevivência dos mais aptos.
No entanto, no ultimo salto da evolução, a mente tem que se desenvolver como consciência contra o instinto; e isto só é possível no ambiente da natureza, pela via de algo completamente alienígena na natureza, que é a fé que diz que para além da matéria há espírito; e que diz que o caminho para o mergulho infinito no espírito acontece pelo morrer do “si mesmo” hoje, em processo; e, depois, pela morte como cessação do corpo.
Ora, tal último salto somente acontece de modo consciente pela fé em Jesus.
Sem a consciência explicita que advém da fé em Jesus, fica a infinita Graça de nosso Deus, que, em toda parte, se revela aos que O buscam, mesmo quando a pessoa não tem um Nome para dar a Quem de fato busca; mas que, em buscando, submete o instinto animal à compaixão e à misericórdia; ou seja: escolhe o amor, a justiça e paz como marcas de sua vida — pois estas são as marcas do Reino de Deus, que é Fim Ômega da existência.
O homo-erectus comeu do fruto da “Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal” e se tornou homo-sapiens.
Quando o homo-sapiens não come da “Árvore da Vida” em Jesus, ele morrer quando morre. Ou, no máximo, existirá sem pessoalidade e a consciência de si, se não abraçar as chances da misericórdia de Deus na Luz da Decisão ante a Eternidade. Mas, enquanto isto… na terra ou em qualquer ambiente espiritual, viverá no inferno como existência, quando na sua existência na há a vida do amor.
Quando o homo-sapiens come da “Árvore da Vida” em Jesus pela fé, ele inicia o caminho da transformação em homo-christus, a qual vai acontecendo em processo, na medida em que ele negue o “si mesmo” e abrace o amor; e, depois, quando, sem medo do morrer, ele deixe o corpo mortal e se torne plenamente homem segundo Deus.
A maioria, todavia, prefere apenas a evolução dentro da mortalidade, não vendo que tais coisas são ainda apenas parte das coisas abaláveis, sendo que nosso último chamado é para fazermos hoje e já a escolha pelas coisas inabaláveis, que são todas as coisas do amor.
A via deste caminho é pelo fogo da santidade de Deus, que vai queimando tudo o que seja queimável em nossa existência entupida de banalidades feitas coisas importantes pelo nosso olhar corrompido pela morte como desejo.
Nele, que nos chama para sermos segundo a imagem de Seu Filho,
Caio
27 de janeiro de 2009
Lago Norte
Brasília
DF
Por Caio Fábio D’Araújo Filho
Enviado em 1 | Deixar um comentário »
Deus está morto
Publicado por angszam em 24 Janeiro, 2009
“Tá não, cê parou no tempo.”
“Que?”
“Deus estava morto, mas ressuscitou.”
“…”
Enviado em 1 | Deixar um comentário »
Marc Driscoll
Publicado por angszam em 22 Janeiro, 2009
É possível acionar as legendas do vídeo no ícone à esquerda inferior do player.
Enviado em 1 | Deixar um comentário »
O beco
Publicado por angszam em 21 Janeiro, 2009
Outro dia, conversando com um amigo não crente, propus a revisão do conceito de aprimoramento humano. Por exemplo, somos mais livres, mas sob preço da facilitação inconteste de realizar desejos, que assumimos como necessidades e pelos quais somos cada vez mais impelidos a cumpri-los sob a agenda exigente de alguém ou nós mesmos (somos livres?); somos mais conhecedores, mas em troca da multiplicidade de informação leviana (conhecemos algo?).
Nego as utopias tradicionais, pois se elas tivesses sido capazes de trazer efetivas benesses ao ser humano, trariam sem aprimoramento de si mesmas; elas já tiveram sua oportunidade prática. Se necessitaram de aprimoramento, eram prontas utopias defasadas (que muitos, inclusive eu, entenderam que eram possíveis – nos enganamos); não são as mesmas, pois aprimoramento é transformação.
O fim da História? Esta é uma das conceituações no presente pensamento que pede urgente reexame, pois seu reflexo no real mostra exatidão mínima, nula, provavelmente: as ruas estão cheias do ideal? Se tiverem, a própria noção do perfeito tem sido uma escancarada hipocrisia nociva. Os campos plenos de seus frutos e de alegria bucólica? Pra alimentarem uma geração que em parte menor parasita sua maior parte, deficiente da mesma alimentação – e é impossível a menor parte negar isso diante dos fatos.
Voltando ao amigo, o que eu disse é que nós humanos parecemos estar todos nos congregando num beco que pensamos ser evolução humana, e que na verdade só se fica indo de encontro à parede do beco. Estamos dando com o nariz no muro, e nos elogiamos e estimulamos por isso e nisso.
Não se trata de quebrar a parede, explodir o beco, reurbanizar a rua. Trata-se de conversão na estrada da vida (que se pensava longa, e na qual se corre, mas se pode parar), para a tomada de novos rumos. Isso só é possível mediante a alguém conhecedor íntimo da condição humana, mas conhecedor para além da capacidade humana de conhecer. Este é o que conhece as bases do que constitui o humano, por isso pode fazer-se humano, pelo humano suplantar e alcançar o que era impossível a humanidade, e por fim, colocar o humano em estado de profunda intimidade com quem a formou e dá sentido pleno ao que é humanidade. Ele não é uma instituição, e ainda que tentem institucionalizá-lo, isso não se dá pois ele não pode ser instituído.
Tudo o que precisava ser feito já foi feito; está feito, é uma base de duração interminável, de uma vez por todas, disponível a todos, sempre. Se é óbvio que é Jesus Cristo de quem falo, basta você decidir que ele seja sua via de conversão – e ponto de convergência.
Os becos podem continuar no mesmo lugar, mas você identifica e muda de rota – e seu nariz volta ao formato original.
Por ANG
Enviado em 1 | Deixar um comentário »
Questionando-nos – 1
Publicado por angszam em 7 Agosto, 2008
Não será o limite de nossa fé que limita nossa visão de Deus, no sentido de Deus ser para nós o tanto que nossa fé diz que o Pai é, e não quem de fato ele é?
Deus não é capaz de nos amar previamente a ponto de não necessitarmos clamar ou fazer esforço para ganhar o favor dele, seja através de louvor, sacríficio, dinheiro, doação ou humano fazer?
Enviado em 1 | Deixar um comentário »