Vertical e Horizontal

E considerando as diagonais.

Por um momento, nem bom nem mau.

Indivíduos, coletivos e sociedades cometem bondades e maldades.

Vamos então dizer que são bons ou maus. Vamos procurar as extensões até influências do bem ou do mal em determinadas pessoas. Vamos no máximo intuir do lado de fora de alguém um âmago cosolidado e secreto de mal e bem.

Só que indivíduos, coletivos e sociedades, bons ou maus, tanto oprimem como são oprimidos. Crentes e descrentes, humanos e animais, velhos e crianças, países desenvolvidos e em desenvolvimento, sempre lidam de algum modo com a opressão. O bom oprime em algum momento; o mau é oprimido simultaneamente ou não – e na dança da opressão, sem deixar de ser quem são, trocam só de posição.

Tanto bons como maus sempre precisam lidar com arrependimento, reconciliação, transformação – porque sem amor ninguém vive (talvez, meramente sobreviva).

Por outro lado, limites podem oprimir bons ou maus em dadas circunstâncias, quando já não mais funcionam como controle. Nessas horas uma das pessoas que mais tememos é Deus: não há limites, e qualquer chance de detectar algum novo controle pra replicar em nosso momento, esta além (mas a gente sabe que funcionaria…). Quando tudo se mostrou limites e não controle, Deus é a referência do nosso fracasso. Quanto mais o “mantivermos” distante, mais vai o referente deixando de ser fracasso e se torna uma referência de nossa vaidade, ou de soberba, de auto-ilusão, de diversão, de poder, de prazer, de sobrevivência, de posição social que Deus deu, e outras mais (algumas, que por si mesmas, nem nocivas seriam).

Escolhas entre dispositivos-limite: continuar espelhando pelo limite-desfuncional, pelo limite-teimosia, pelo limite-bom-enquanto-durar, pelo limite bom-enquanto-ninguém-tá-vendo.

E não notar - ainda? – que Deus não pode ser mantido distante (ao mesmo tempo que não impõe sua presença). Que Ele em nenhum momento oprime (cai na real: um monte de gente já oprimiu pelo dispositivo limite-Deus – e isso não é Deus, como oportunistas insistem). Que Ele continua mantendo disponível a Graça (como) em Jesus Cristo.

A coisa é mais ou menos assim: ainda que nós sempre sejamos o que somos dentro de limites e dispositivos, podemos espelhar um Deus ilimitado, que pode usar ou não conosco dispositivos dEle, pra usarmos ou não.  dispositivos genuínos, funcionais, desconectados da regência da opressão. Limitados refletindo ilimitação real; não mais a travestida limitação, que logo desaba. Não é poder, é uma realidade funcional.

O mundo que todo mundo sabe que não quer, é o rotineiro de inúmeros procedimentos de opressão. Ou nos rendemos à estupidez de manter os mesmos procedimentos de sempre, ou sacamos que temos a oportunidade de romper com eles e também adotarmos melhores procedimentos que precisamos.

Por mais que se teime, alternativas outras melhores que a ilimitação divina possa encontrar, a limitação humana não conseguirá nunca obter. Limitados apostam corrida – mesmo quando não é caso de competição.

Moralismo e violência são subextratos quando é caso da necessidade de nascer de novo. Perceba um instante: planeta Terra, sobrenome Nicodemos.

Galhofas

Riu?

Depois do riso, o que? A próxima pândega?

Ante a imagem, se a leitura for psicologizante, pode muito bem dar em teses, em academicismos, conclusões supositórias estéreis, por mais que se negue. Elitismo intelectual que frequentemente se acha superior a vida. No fim se acha, por exemplo, diante de filmes, que melhor interpreta o psicólogo do que o especialista audiovisual que faz. Aí começa o jogo infantilóide tacanho pela melhor fatia de bolo.

Se a leitura abusar da livre autoria, se sobrepõem o valor inicial no que se lê, usando exterioridades. Sim, pode não ser um problema. Não é só uma elite que sabe fazer arte. Fato é que o formalismo pode ser uma escolha estética, mas interessante como frequentemente é um erro no caso de muitos iniciantes na criação imagética. A forma criada, sozinha, não se faz.

Nem toda imagem é de fato feita pra livre (re)interpretação. Pela substituição da intenção inicial pode acabar em sufocamento (a obra ainda é a mesma obra? Peraí, estamos aqui discutindo o que, então?). Com isso a kitschização veda pra duas questões fundamentais que remetem a seres/pessoas (como a arte também se torna apenas coisa a serviço de qualquer outro interesse, menos arte): ao criar uma imagem o autor tem intenção – que perder de vista pode ser danoso (só fazer rir?… pode muito bem ser uma qualidade banal de autoria, ainda que se mascare com discurso); e o autor expressa outros de seu convívio, cultura e até além.

Nunca é só o riso, por mais que nós passemos a vida rindo.

Letargia. Olha no que deu, talvez, aquele seu “Ah, quer saber, vamo pas cabeça!”, ou o seu “Não, tem que ser assim, porque tá escrito assim” ou “Eu sei o questoufazendo!” ou “Não, tudo bem, deixa” ou… imaginar um passado é fácil quando se tem o hábito de criar. No longo prazo, mais letargia.

Pra nós não é sempre que a troça é só aquela boa idéia que a imagem manifesta. É também um estado de coisas no entorno, na aspiração, em conformidade, sob cinismo e outros. Variadas nuances de conteúdo humano que determinam a forma. Some-se a isso o potencial alto de abertura interpretativa devido à montanha de opções de manipulação disponíveis (e nada de Photoshop não, tem interferência discursiva de monte). Se de um lado temos um alerta de nós mesmo, de outros temos a construção indireta da percepção alheia do que somos. Ortega Y Gasset na cabeça: “Eu sou eu e minha circunstância”.

Não é feio rir. Ensinar a rir?… Esquece o riso um pouco.

A idéia de igreja e fé que as pessoas têm além de você, é também a idéia que você assume pra si, e a decisão que você toma em ser a igreja que quer e da fé que quer ter. Isso não quer dizer que você sozinho é que faz verão – na verdade, o riso é produto do que muitos de nós fazemos. E claro que Deus faz parte do processo – mas sim, você é capaz de tirá-lo desse processo, ou seguir apenas munido do processo.

Artistas e autores costumam saber muito bem o que fazer com o processo.

Você sabe do que é capaz de fazer com igreja? Sabe do que foi e tem sido capaz?

 

Créditos ao menos de postagem no Facebook: http://www.facebook.com/nanatomendes
Uma reação de quem viu: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=168169893282651&set=a.130469530386021.18368.100002689253206&type=1&theater

 

Você prefere:

a) Convidar para ir a uma igreja;

b) Expor a realidade de Jesus Cristo vivo, sendo você mesmo (e também) a Igreja no ato e em ação, servindo e amando.

Meros espectadores dos ciclos da vida:

 

Talvez não se saiba como, mas ciclos podem ser quebrados. Alguns não no seu tempo, mesmo que lhes pareçam urgentes quebrar. Alguns outros, embora pareçam impossíveis de romper, podem ser quebrados imediatamente. Há coisas que duram apenas pelo querer e o perpetuar. Existem espectadores ativos. Existem além disso, os que não se deixam guiar por vista, mas não radicalizam em si uma cegueira. Ainda alguns outros sabem que algumas coisas, por mais que ajam, quem opera tanto o querer como o efetuar, é Deus – sem fazer de ninguém um autômato.

Não é a religião, mas o que Cristo fez.

*Valeu pelo compartilhamento, Silmar e Sandro.

Capítulos mais lidos

Segundo o site http://www.bibliaonline.com.br/, os mais lidos:

Salmo 91, Eclesiastes 3, Salmo 23, I Coríntios 13, Provérbios 16

O interesse bíblico por essa amostragem, segundo temas dos capítulos ou informações sobre os assuntos contídos no trecho, te diz alguma coisa sobre os cristãos no Brasil ou de língua portugesa.

Rico

David Pierce | No Longer Music

Teísmo aberto, Deus se define mais do que nós o consigamos definir.

“Verdade:

Mesmo com o relativismo existe uma sede espiritual grande nessa geração. Mas muitas vezes quando tomamos aquele passo de nos relacionarmos com o jovem ou a sociedade ficamos receosos de falar abertamente da fé por medo de ofender. Mas temos visto que quando estamos dispostos a mostrar quem Jesus realmente é os que parecem mais longe se convertem radicalmente. Isso é o poder da Cruz, é o poder de um encontro real com Jesus. Temos que lembrar que a verdade que devemos pregar não é um sistema de dogmas ou uma cultura cristã, é uma pessoa – Jesus.”

Luke Greenwood

A Igreja não pode se dar ao luxo de ser anacrônica e assincrônica à realidade que a envolve

Nem ao luxo do comodismo e da ilusão de conformar-se ao mundo.

Difícil? Olha, não é bem o caso.

Redeemer – Norma Jean

Cinema_01

Coluna periódica. Filmes indicados pra cristãos, fora do exagerado propagandístico e proselitista gospel (que muitas vezes instalam ilusões). Indicados, não porque feitos pra cristão, mas porque ele pode expandir relações com a obra, expandir-se huamanamente nele, desdobrar a fé, e dialogar com o que existe.

“Stalker (Сталкер)”, DIR: Andrei Tarkovski – 1979 – URSS

Um homem humilde, ex-presidiário, chamado “stalker”, guia dois homens, chamados de “professor” e “escritor” até e no interior da “Zona”, região isolada por forças militares, localizada num pequeno país de nome não revelado. Suspeitava-se da presença de alienígenas nela, tendo em vista a ocorrência de fenômenos inexplicáveis neste local. A Zona é cheia de armadilhas que apenas os stalkers conseguem superar. Diz-se que no interior da Zona há um quarto capaz de realizar os desejos mais íntimos de qualquer pessoa que o adentrar, depois de vencer todas as armadilhas. O filme faz uso de diálogos filosóficos e poesias. O diretor, Tarkovsky, nunca recatado no tratamento conjunto do realismo junto ao metafísico, chegou a dizer que o tema do filme é a fé (e a busca do paraíso interior) lidando com elementos de ficção científica.

Crítica: http://www.contracampo.com.br/61/stalker.htm

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“O pecado de Hadewijch (Hadewijch)”, DIR: Bruno Dumont – 2009 – FRA

Céline (Julie Sokolowski), estudante de teologia, adota o nome de Hadewijch, místico do século XIII do Brabant, no norte da França. Chocada com a fé cega e estática da moça, a madre superiora (Brigitte Mayeux-Clerget) a envia para fora do convento, no intuito de que encontre sua vocação no mundo. Ela então volta a ser uma menina comum, filha de um ministro francês. Um dia conhece Yassine (Yassine Salime), africano do subúrbio, que a apresenta ao seu irmão Nassir (Karl Safaradis), muçulmano praticante e professor de religião. O amor de Céline por Deus, assim como sua raiva e seu desejo de entregar-se ao sacrifício, a lançam no envolvimento entre fé, fanatismo, sofrimento, intolerância, racismo e terrorismo. Dumont em seu realismo cru não evoca sempre motivações, e nunca prima por vedar o filme de questões presentes ignoradas no cotidiano. Uma constante que sempre queremos manter além no estereótipo da cegueira de teimosia quanto ao mundo e as pessoas, mas é um universo localizado e contido. O cru, a aridez, vem da obejtividade que evitamos – impassível fica quem talvez tenha se esquecido de quem e o que é (isso lá tem seu fundamento).

Crítica: http://www.revistacinetica.com.br/hadewijch.htm

Santos entre taças de vinho

O filósofo ataca o esnobismo hipócrita dos “jantares inteligentes” e explica por que considera o cristianismo moralmente superior à pregação materialista.

Luiz Felipe Pondé, 52, é um raro exemplo de filósofo brasileiro que consegue conversar com o mundo para além dos muros da academia. Seja na sua coluna semanal na Folha de S.Paulo, seja em livros como o recém-lançado O Catolicismo Hoje (Benvirá), ele sabe se comunicar como o grande público sem baratear suas ideias. Mais rara ainda é sua disposição para criticar certezas e lugares-comuns bem estabelecidos entre seus pares. Pondé é um crítico da dominância burra que a esquerda assumiu sobre a cultura brasileira. Professor da Faap e da PUC, em São Paulo, Pondé, em seus ensaios, conseguiu definir ironicamente o espírito dos tempos descrevendo um cenário comum na classe média intelectualizada: o jantar inteligente, no qual os comensais, entre uma e outra taça de vinho chileno, se cumprimentam mutuamente por sua “consciência social”. Diz Pondé: “Sou filósofo casado com psicanalista. Somos convidados para muitos jantares assim. Há até jantares inteligentes para falar mal de jantares inteligentes. Estudioso de teologia, Pondé considera o ateísmo filosoficamente raso, mas não é seguidor de nenhuma religião em particular. Eis um pensador capaz de surpreender quem valoriza o rigor na troca de ideias.

Em seus ensaios, o senhor delineou um cenário exemplar do mundo atual: o jantar inteligente. O que vem a ser isso? 
É uma reunião na qual há uma adesão geral a pacotes de ideias e comportamentos. Pode ser visto como a versão contemporânea das festas luteranas nas Dinamarca do Século 19, que o filósofo Soren Kierkegaard criticava por sua hipocrisia. Esse vício migor de um cenário no qual o cristianismo era base da hipocrisia para uma falsa espiritualidade de esquerda. Como a esquerda não tem a tensão do pecado, ela é pior do que o cristianismo.

Como assim? 
A esquerda é menos completa como ferramenta cultural para produzir uma visão de si mesma. A espiritualidade de esquerda é rasa. Aloca toda a responsabilidade do mal fora de você: o mal está na classe social, no capital, no estado, na elite. Isso infantiliza o ser humano. Ninguém sai de um jantar inteligente para se olhar no espelho e ver um demônio. Não: todos se veem como heróis que estão salvando o mundo por andar de bicicleta.

Quais são os temas mais comuns da conversa em um jantar desses?
Filhos são um tema recorrente. Todos falam de como seus filhos são diferentes dos outros porque frequentam uma escola que cobra R$ 2.000 por mês, mas é de esquerda e estuda a sério o inviável modelo econômico cubano. Ou dizem que a filha já tem consciência ambiental e trabalha e uma ong que ajuda as crianças da África. Também se fala sempre de algum filme chatíssimo de que todos fingem ter gostado para mostrar como têm repertório. Mais timidamente, há certa preocupação com a saúde e o corpo. Reciclar lixo, e mais recentemente, andar de bicicleta também são temas valorizados. Sempre se fala mal dos Estados Unidos, mas Barack Obama é um deus. Fala-se mal de Israel, sem conhecer patativa da história do conflito israelo-palestino. Mas, claro, é obrigatório enfatizar que você é antissionista, mas não antissemita, pois em jantar inteligente muito provavelmente haverá um judeu – apesar de serem muitas vezes judeus em crise consigo mesmos, o que é bem típico dos judeus.

Que assuntos são tabus? 
Imagine dizer em uma reunião na Dinamarca luterana de Kierkegaard que algumas mulheres são infelizes porque não chegam ao orgasmo. Seria um escândalo. Simetricamente, hoje é um escândalo dizer que as mulheres emancipadas e donas de seu nariz estão mesmo é loucas de solidão. No jantar inteligente, você tem sempre de dizer que a emancipação feminina criou problemas para as mulheres, que os homens aprenderam a ser sensíveis e que uma mulher nunca vai dar um pé no homem que se mostre sensível demais. Os jantares inteligentes misturam cardápios interessantes — pratos peruanos ou, sei lá, vietnamitas – como papo-cabeça, mas servem à mesma função que os jantares dos pais dessas pessoas cumpriam: passar o tempo. Os problemas amorosos, sexuais e profissionais são os mesmos, mas todos se acham bem resolvidos. Costumo provocar dizendo que há 100 anos se fazia sexo melhor. Tinha mais culpa e pecado, o que deve ser uma excitação tremenda. Hoje, todos mundo diz que tem um desempenho maravilhoso, e que vive uma relação de troca plena com o seu parceiro ou parceira. Eu considero a revolução sexual um dos maiores engodos da história recente. Criou uma dimensão de indústria, no sentido da quantidade, das relações sexuais – mas na maioria elas são muito ruins, porque as pessoas são complicadas.

Quando começaram os jantares inteligentes? 
A matriz histórica são os filósofos da França pré-revolucionária. Os saraus, os jantares em casa de condessas e marquesas eram então uma atividade da burguesia, ou de uma aristocracia falida, aburguesada. Eram uma das formas que a burguesia usava para constituir sua identidade, para mostrar que tinha cultura e opiniões. Mas era um grupo de vanguarda, que discutia a fratura e crises do pensamento. Nos jantares de hoje, a inteligência tem a mesma função do vinho chileno.

Não há lugar para um pensamento alternativo nem na hora da sobremesa? 
Não. A gente anos de ditadura no Brasil. Mas, quando ela acabou, a esquerda estava em sua plenitude. Tomou conta das universidades, dos institutos culturais, das redações de jornal. Você pode ver nas universidades, por exemplo, cartazes de um ciclo de palestras sobre o pensamento de Trotsky e sua atualidade, mas não se veem cartazes anunciando conferência sobre a crítica à Revolução Francesa de Edmund Burke, filósofo irlandês fundamental para entender as origens do conservadorismo. Não há um pensamento alternativo à tradição de Rousseau, de Hegel e de Marx. Tenho um amigo que é dono de uma grande indústria e cuja filha estuda em um colégio de São Paulo que nem é desses chiques de esquerda. É uma escola bastante tradicional. Um dia, uma professora falava da Revolução Cubana, como se esse fosse um grande tema. Ela citou Che Guevara, e a menina perguntou: “Ele não matou muita gente?” A professora se vira para a menina e responde: “O seu pai também mata muita gente de fome”. O que autorizou uma professora usar esse tipo de argumento é o status quo que se instalou também nas escolas, e não só na universidade. O infantilismo político dá vazão e legitima esse tipo de julgamento moral sumário.

Como essa tendência se manifesta na universidade? 
O mundo das ciências humanos, em que há pouco dinheiro e se faz pouca coisa, é dominado pela esquerda aguada. Há muitos corporativismo e a tendência geral de excluir, por manobras institucionais, aqueles que não se identificam com a esquerda. Existe ainda a nova esquerda, para a qual não é mais o proletariado que carrega o sentido da história, como queria Marx. Os novos esquerdistas acreditam que esse papel hoje cabe às mulheres oprimidas, aos índios, aos aborígenes, aos imigrantes ilegais. Esses segmentos formariam a nova classe sobre a qual estaria depositada a graça redentora. Eu detesto política como redenção.

Por que a política não pode ser redentora? 
O cristianismo, que é uma religião hegemônica no Ocidente, fala do pecador, de sua busca e de seu conflito interior. É uma espiritualidade riquíssima, pouco conhecida por causa do estrago feito pelo secularismo extremado. Al lado de sua vocação repressora institucional, o cristianismo reconhece que o homem é fraco, é frágil. As redenções políticas não têm isso. Esse é um aspecto do pensamento de esquerda que eu acho brega. Essa visão do homem se responsabilidade moral. O mal está sempre na classe social, na relação econômica, na opressão do poder. Na visão medieval, é a graça de Deus que redime o mundo. É um conceito complexo e fugidio. Não se sabe se alguém é capaz de ganhar a graça por seus próprios méritos, ou se é Deus na sua perfeição que concede a graça. Em qualquer hipótese, a graça não depende de um movimento positivo de um grupo. Na redenção política, é sempre o coletivo, o grupo, que assume o papel de redentor. O grupo, como a história do século 20 nos mostrou, é sempre opressivo.

Em que o cristianismo é superior ao pensamento de esquerda?
Pegue a ideia de santidade. Ninguém, em nenhuma teologia da tradição cristã – nem da judaica ou islâmica –, pode dizer-se santo. Nunca. Isso na verdade vem desde Aristóteles: ninguém pode enunciar a própria virtude. A virtude de um homem é anunciada pelos outros homens. Na tradição católica – o protestantismo não tem santos –, o santo é sempre alguém que, o tempo todo, reconhece o mal em si mesmo. O clero da esquerda, ao contrário, é movido por um sentimento de pureza. Considera sempre o outro como o porco capitalista, o burguês. Ele próprio não. Ele está salvo, porque reclica lixo, porque vota no PT, ou em algum partido que se acha mais puro ainda, como o PSOL, até porque o PT já está meio melado. Não há contradição interior na moral esquerdista. As pessoas se autointitulam santas e ficam indignadas com o mal do outro.

Quando o cristianismo cruza o pensamento de esquerda, como no caso da Teologia da Libertação, a humildade se perde?
Sim. Eu vejo isso empiricamente em colegas da Teologia da Libertação. Eles se acham puros. Tecnicamente, a Teologia da Libertação é, por um lado, uma fiel herdeira da tradição cristã. Ela vem da crítica social que está nos profetas de Israel, no Antigo Testamento. Esses profetas falam mal do rei, mas em idealizar o povo. O cristianismo é descendente principalmente desse viés do judaísmo. Também o cristianismo nasceu questionando a estrutura social. Até aqui, isso não me parece um erro teológico. Só que a Teologia da Libertação toma como ferramenta o marxismo, e isso sim é um erro. Um cristão que recorre a Marx, ou a Nietzsche – a quem admiro –, é como uma criança que entra na jaula do leão e faz bilu-bilu na cara dele. É natural que a Teologia da Libertação, no Brasil, tenha evoluído para Leonardo Boff, que já não tem nada de cristão. Boff evoluiu para um certo paganismo Nova Era – e já nem é marxista tampouco. A Teologia da Libertação é ruim de marketing. É como já se disse: enquanto a Teologia da Libertação fez a opção pelo pobre, o pobre fez a opção pelo pentecostalismo.

O senhor acredita em Deus?
Sim. Mas já fui ateu por muito tempo. Quando digo que acredito em Deus, é porque acho essa uma das hipóteses mais elegantes em relação, por exemplo, à origem do universo. Não é que eu rejeite o acaso ou a violência implícitos no darwinismo – pelo contrário. Mas considero que o conceito de Deus na tradição ocidental é, em termos filosóficos, muito sofisticado. Lembro-me sempre de algo que o escritor inglês Chesterton dizia: não há problema em não acreditar em Deus; o problema é que quem deixa de acreditar em Deus começa a acreditar em qualquer outra bobagem, seja na história, na ciência ou sem si mesmo, que é a coisa mais brega de todas. Só alguém muito alienado pode acreditar em si mesmo. Minha posição teológica não é óbvia e confunde muito as pessoas. Opero no debate público assumindo os riscos do niilista. Quase nunca lanço a hipótese de Deus no debate moral, filosófico ou político. Do ponto de vista político, a importância que vejo na religião é outra. Para mim, ela é uma fonte de hábitos morais, e historicamente oferece resistência à tendência do Estado moderno de querer fazer a cura das almas, como se dizia na Idade Média – querer se meter na vida moral das pessoas.

Por que o senhor deixou de ser ateu? 
Comecei a achar o ateísmo aborrecido, do ponto de vista filosófico. A hipótese de Deus bíblico, na qual estamos ligados a um enredo e um drama morais muito maiores do que o átomo, me atraiu. Sou basicamente pessimista, cético, descrente, quase na fronteira da melancolia. Mas tenho sorte sem merecê-la. Percebo uma certa beleza, uma certa misericórdia no mundo, que não consigo deduzir a partir dos seres humanos, tampouco de mim mesmo. Tenho a clara sensação de que às vezes acontecem milagres. Só encontro isso na tradição teológica.

Veja – edição 2225 – ano 44 – n° 28, de 13 de julho de 2011, pgs 17 à 21.

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Considerando que a revista Veja usa o material em seu expediente constante de depredar a (suposta) esquerda, e com isso santifica suas posições direitistas e tirânicas de comunicação (frequentes), e excessivamente parcialistas jornalísticas (jornalismo de opnião é uma coisa, fofoqueiro cínico, outra). Ou seja: cuidado ao dar crédito cego às informações desta e qualquer outra publicação jornalistica pra não fazer papel de panaca factual; sonde por intenções de publicação (há muito tempo não é só informar), não raro o rabo-preso se enlaça nas oportunidades que passam.

Talvez editores e jornalistas da revista afirmam não beber vinho e de pé junto digam não estar nem aí pra qualquer santidade.  E daí? Obviamente o material não é só colheita de opnião de uma pessoa em evidência intelectual, mas tem indiscutível função política de posicionamento e efeito na massa de leitores. Da concordância ao conformismo é um pulo e já tem tanto cristão achando que sabe muito ao estar até o pescoço nisso, achando ter conhecimento genuíno por edulcorada opinião… cora a cara de Cristo, viu? Deus não é hipótese (como racionalismos apregoam), politica não é o máximo limite ativo pra cristão (visto que ela é uma necessidade social humana, não a natural biopolítica, e extrapola várias vezes o Reino de Deus – mas pode coexistir com o Reino; acima de política está o amor).

Pathos

As versões católica e protestantes chamaram de paixão. Uma outra, de afeição desordenada. Calmaê formalismo fundamentalista, é ainda mais turvo emocional o agregador de todos os significados. Contém é excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento e assujeitamento. Em si mesmo, aletatoriedade, por isso, dispositivo emocional. Aflições, prazeres, afobações… gregos usavam em sentido tanto bom como mau; não a beleza da neutralidade energética sempre – rapaz, isso é lirismo, nem vem, a vida é mais que isso – pois tem um quê de infâmia nalgumas situações, por exemplo.

Turvo também porque ao longo da história, as definições não entram em acordo entre si. Para duas pessoas hoje, as emoções entram em re-significação (que já tem tempo que não é só variação de linguagem, viu?), funcionam como são, mas para as duas criaturas sob funções diferentes. Aí se oculta o que realmente a emoção é, ficando com o que parece ser. Então uma proposição bíblica, para alguns soa como condenação, indignação, obviedade e pra outros a evidência é só um “Como assim? Nasci com isso…” – e no fim não se presta a nada disso.

Mais psico-objetivamente: experiência afetiva que desponta brusca, diante de objeto ou situação excitante. Gera reações motoras e glandulares, e altera o estado afetivo. Contextualizados em um mundo de objetos, situações e pessoas com que nos relacionamos, somos atiçados por desejos de afastamento ou aproximação. Estes, mesmos que não sejam realizados, constituem a experiência afetiva de cada um. De emoção para sentimento, grau de intensidade: estado afetivo suave, lidando com aspectos alheios, sentimento; intenso, é emoção.

A fé vai lidar com quatro características da existência: estações, emoções, decisões e relações. O conteúdo pathético está presente em todas, em maior ou menor quantidade, junto de ethos e logos. As estórias que contamos também são assim, sejam literárias, audiovisuais ou transmediáticas: o gênero melodramático (dos folhetins televisivos – e o gênero só dá no mesmo tipo de estória quando por ele se força determinado padrão) incrementa o patético ante redução do ético, e trazendo o lógico só ao necessário em função do pathos.  Colossenses vai dizer de certo pathos, tipos de paixão, de categorias emocionais, próprias de uma existência humana depreciada, que necessitam de anulação por vontade e hábito.

Martin Lloyd-Jones, vai entrar em outro arcabouço pathético, que santarrões fazem pouco caso, mas a vida tem dado no que dá não é à toa:

“Emocionalismo é um estado e uma condição em que as emoções estão descontroladas. As emoções estão no controle. Estão numa espécie de êxtase. E se emocionalismo é ruim, muito pior é a tentativa deliberada de produzi-lo. Portanto, qualquer esforço que deliberadamente tenta estimular as emoções, seja através de cânticos, ou fórmulas, ou qualquer outra coisa, ou, como vemos nos povos primitivos, através de danças e coisas assim – tudo isso, naturalmente é condenado pelo Novo Testamento. Jogar com as emoções é errado. É algo que é condenado através da Bíblia toda. As emoções devem ser constatadas através da compreensão, através da mente, da verdade. E qualquer assalto direto sobre as emoções é, necessariamente falso e inevitavelmente resultará em problemas.” - do livro “Avivamento”.

Como sem periferia não há centro, e faz bem olhar a vizinhança quando se fala de pathos (a imprecisão também pode ser bela), Helmut Thielicke:

“Não existe alegria maior do que encontrar cristãos transformados. E nada dá mais nojo do que cristãos “tocados de leve”, cobertos por milhares de grãos de sementes, mas sem profundidade nem raízes. A primeira tempestade os derruba por terra. Fracassam na primeira catástrofe que aparecer, porque sua intelectualidade estéril e seu sentimentalismo superficial não lhes conferem a mínima resistência. Acabam perdendo aquilo que julgavam possuir.”

“Desta matéria prima são feitos os anticristos. A maioria deles foram assim, cristãos sem consistência: a semente apenas os tocou de leve. Quem só entrega parte do seu coração a Jesus é mais miserável do que uma pessoa cem por cento mundana: além de perder a “paz” do mundo, não consegue a “paz que excede todo entendimento”, pois já perdeu a ingenuidade. Por isto vive num constante conflito interior. É perfeitamente compreensível que um dia, num acesso de raiva, ela bata a porta diante daquele que há pouco, com serenidade, batia nela, pedindo entrada. O anticristo é sempre um semicristão enlouquecido. Isto você pode anotar!”

Upa… assustou?

O que interessa nas congregações – 01

Igreja Metodista Livre – cujo ministro, Benjamin Titus Roberts (1823-1893), em 1860, nos EUA, foi expulso da Igreja Metodista Episcopal devido as suas críticas à espiritualidade declinante na igreja e suas idéias abolicionistas. Em 1910 a Metodista Episcopal volta atrás na expulsão de B.J. Roberts e outros cinco pastores expulsos em 1859. Os Free Methodists afirmavam que a Igreja deveria:

a) Ser LIVRE dos assentos dos bancos da igreja, que não poderiam ser alugados | hoje, aluguel AINDA existe (o que cristãos fazem à respeito?), e as moedas de locação são várias, bem como os locais/posições – seu fisiologismo dirá assentos, mas é leviano reter-se no “apenas isso”;

b) Ser LIVRE da escravidão ou de qualquer outra forma de injustiça e segregação étnica | que hoje não é só com a macro-exclusão, de raça e pobreza, sejam cristãos ou não; as igrejas também optam às vezes por subexlusões sutis – opinião, racionalidade, misticismo, emotividade, preferência, cinismo, elitismo… ou você não é coletividade humana, congregação?;

c) Ser LIVRE das sociedades secretas | instituição dentro de instituição – quando se deveria antes questionar se é mesmo preciso uma – que uma vez dentro, se eleva sorrateiramente sobre, para ser sociedade com intensão de eminência parda para desfrutes exclusivistas; não tão distante no forjar ético de qualquer máfia (dessa, um modo é a violência e o crime; de SA, passam pela ignorância, status, permissividade, misticismo esotérico de controle e oportunismo social). A visão de Reino de Deus de Cristo é OPOSTA; o Reino não vem por mãos humanas;

d) Ser LIVRE do domínio episcopal, e ter a participação dos leigos na administração espiritual e material da igreja | porque o cabeça da Igreja, é um só: Cristo. Bispotes, Apóstoletas, Anjécos de (xiii)igreja empenham projeto de dominação de pessoas. A dominação do homem pelo homem é frequente e inerente no homem, a proposta de Reino de Deus também é contrária nisso. O poder de domínio humano, solucionado, é colaborado, participativo – Ele veio para servir -; por um momento concentrado, reativada a dominação;

e) Ser LIVRE do pecado original, visto que ênfase em santidade e na inteira santificação deveria ser restabelecida | o olhar mais no pecado original do que nas santidade/santificação, torna-as cabresto, novo julgo, e outra oportunidade de manipulação humana, em renovação de sofrimento. A santidade/santificação como instante superado do pecado original, é condição em que permanecer por sua simples descoberta de fundamento existencial, de genuína humanidade em laço constante com o divino, a nova vida que não cessa.

Simples:

A fé vem antes.

João Batista Libânio

“A fé não se baseia na evidência de fatos constatáveis. Isso é ciência”.

“A fé não se dependura no final de um raciocínio. Isso é filosofia” .

“Eu me chateei de caluniar o universo.”

Emil Cioran ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Emil_Cioran ), em “Apocalipsa dupa Cioran” (1995 – Romênia – 58 mim – DIR: Gabriel Liiceanu).

Change of ideas – Bad Religion

Well the sheaves have all been brought,
but the fields have washed away
and the palaces now stand
where the coffins all were laid
and the times we see ahead
we must glaze with rosy hues
for we don’t wish to admit
what it is we have to lose

Millennia in coming
the modern age is here
it sanctifies the future
yet renders us with fear
so many theories, so many prophecies
what we do need is a change of ideas
when we are scared
we can hide in our reveries
but what we need is a change of ideas
change of ideas, change of ideas
what we need now is a change of ideas

Walk at night – Cults

When i walk at night i can’t help but i know it’s right
When i walk alone im hoping for things unknown
When i’m on my own i try to get as far from home
When i wanna be, there’s no bright light surrounding me

When i walk at night i cant help but i know it’s right
When i walk alone i’m hoping for things unknown
When i clean your side, i’m searching for some surprise
When i’m by your side i can’t forget all our ties

When im on my own i try to get as far from home
When i wanna be, there’s no bright light surrounding me

You keep on tryin’ to make believe
That no one knows of your lies and your deceit
There’s no use in me tryin to be the things
I wanted and that’s right for me
There’s no point playing hard to get
I figured i’ll just sit on your swing
It’s easy singing everyday until i walk at night

MO: motivação, mordaça, modernidade, morosidade

Cinismo alguém impedir outro falar de si mesmo (uma mínima liberdade), ou do que tem em si, e depois brigar por liberdade, não?

Qual ideário está então grudado em você, e qual deles você sustenta achando que sustenta a si mesmo, imaginando ser isso liberdade?

Liberdade para exercer rabo-preso, lobbysmo, amigão, é apenas uma decisão sua, não liberdade, ora. Excesso de imaginação não refaz a existência, mas introjeta localmente em si mesmo (o indivíduo como o sumo-local).

Muito há que se abrir mão da vontade de supremacia no corriqueiro antes de falar em liberdade, e em pós-modernismo populacional, nacional, congregacional. Calma.

Todavia:

http://verticalehorizontal.wordpress.com/2008/03/09/uns-comercializam-outros-oferecem/

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A ditadura dos tolerantes
Ricardo Gondim Rodrigues

Há algum tempo recebi o convite para participar de um programa de debates, recém iniciado pela MTV onde abordariam a questão do homossexualismo. Aceitei o convite com certa hesitação. Minha paixão pela polêmica, porém, me impediu de dizer não. Nos bastidores, antes de ir ao ar, percebi que seria minoria mais uma vez (embora seja pentecostal e corintiano). Sentei-me à mesa, rodeado por um “drag queen” e uma ativa militante do movimento lésbico. Mal o programa começou e já se percebia claramente que ele visava uma apologia do homossexualismo (ou homossexualidade, como querem os politicamente corretos). Cada um dos mais de quinze painelistas se revezava em defender a prática homossexual como uma questão de preferência e não de ética. Finalmente, a apresentadora do programa perguntou minha opinião.

Pausadamente, procurando me esquivar da pecha de fundamentalista e homofóbico, expus o que penso ser um consenso do pensamento evangélico: “Cremos em um Deus criador e preservador de todo o universo. Ele, além de possuir pessoalidade, preocupa-se com a felicidade de toda a sua criação. Dele provém uma lei moral que fornece os parâmetros do comportamento humano e por ser exterior a nós, não se molda às nossas preferências.” “De acordo com essa lei moral,” continuei com o mesmo tom de voz, “nós evangélicos, entendemos o homossexualismo como um pecado, uma perversão moral.” Bastaram essas palavras. O tempo fechou. Quase todos ao redor da mesa falavam, cada qual subindo um pouco seu tom de voz. Alguns, quase que descontrolados, proferiam palavrões. Sarcasticamente, confesso, perguntei: “Afinal de contas esse espaço não é plural? Por que não posso manifestar meu ponto de vista, assim como os senhores expõem os seus? Se vocês pregam a tolerância, porque tanta intolerância ao meu ponto de vista?” Meu sarcasmo não deu resultado. Cada vez que tentava falar, me abafavam aos gritos.

A modernidade sempre se gabou de respeitar os diferentes. Voltaire, arauto do Iluminismo, dizia: “Devemos tolerar-nos mutuamente, porque somos todos fracos, inconseqüentes, sujeitos à mutabilidade, ao erro. Um caniço vergado pelo vento sobre a lama porventura dirá ao caniço vizinho, vergado em sentido contrário: ‘Rasteja a meu modo, miserável, ou farei um requerimento para que te arranquem e te queimem’?” Por que mesmo anunciando o respeito à opinião do outro, a Modernidade patrocinou a Revolução Francesa? Por que o estado marxista promoveu o expurgo de Stalin? Por que na Alemanha, berço dos maiores filósofos e teólogos, aconteceu o Holocausto? Se a modernidade é tão tolerante com o diferente, por que tanta intolerância?

Entendamos um pouco da Modernidade. Primeiro, ela valorizava o método. A tolerância para com a razão, para a prova “irrefutável”, tornou-se desnecessária. Sponville afirma: “Quando a verdade é conhecida com certeza, a tolerância não tem objeto.” Ele e todos os filósofos da modernidade crêem que os cientistas necessitam não de tolerância, mas de liberdade. Os fatos, provenientes da observação empírica, impõem-se. Refutá-los é negar a razão. Como a ciência não depende de opiniões, ela não necessita de tolerância, mas de respeito. Depois, a Modernidade também é naturalista. Só trabalha com um sistema fechado em que matéria, energia, tempo e chance são as únicas variáveis consideradas. Portanto, verdade deve ficar contida nesses elementos. Como filosofar, é pensar sem provas, e provar faz parte do paradigma da Modernidade, a filosofia (também a teologia) é tolerada desde que obedeça as regras da abordagem científica e naturalista. Nesse sistema, somente os céticos ao transcendente como Hume e Bultmann recebem qualquer reconhecimento. O resto é descartado como irrelevante. Terceiro, a Modernidade é universalista. Aceita que seus achados transcendem ao tempo e ao espaço. Devido a essa visão é que a modernidade, de acordo com D. A Carlson, adotou a dialética Marxista da história, a teoria Hegeliana do espírito universal, a visão pós-Iluminista do progresso e a teologia liberal que aceita como factível apenas o que é julgado racional e “científico”. Aqueles que se recusarem à ditadura da Modernidade, são imediatamente rotulados: medievais, supersticiosos, reacionários. A tolerância da Modernidade se restringe aos limites impostos por ela; quem fugir deles percebe rapidamente sua intransigência. Mas, voltemos ao programa da MTV.

Por que tanta intolerância à ética judeu-cristã? Por que tanto incômodo à cosmovisão religiosa? O problema reside nos pressupostos transcendentais. O cristianismo baseia-se na revelação de uma lei moral, outorgada por um Deus que não pode ser definido como parte de minha humanidade (humanismo), reduzido a uma energia (naturalismo) ou mera projeção mítica (neurose freudiana). A premissa cristã que propõe a revelação do transcendente como um valor epistemológico, bate de frente com a modernidade. O cristão sabe que sabe por revelação. Pedro já asseverava no primeiro século: “Porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.20). Na Modernidade, a verdade religiosa não é factível, é questão de opinião. Nunca ninguém está absolutamente certo sobre os assuntos espirituais. Portanto, religião não pode participar do debate público; deve manter-se reduzida à arena dos juízos; não é demonstrável nem refutável.

A revelação da lei moral de Deus, caso aceita, obrigaria as pessoas a obedecê-la, acabando com a noção de preferência. A Modernidade propõe que a lei moral seja uma construção humana, restrita à cultura e ao tempo de sua elaboração; caso aceitasse que provém de Deus, reconheceria que todos, em todas as épocas, deveriam obedecê-la.

Sponville diz que uma ditadura imposta pela força é um despotismo; se ela se impõe pela ideologia, um totalitarismo. O problema da Modernidade é que, mesmo sem querer, vem se tornando cada dia mais déspota e totalitária. Não somente rechaça os valores da ética cristã, como tenta forçar seus pressupostos como únicas opções válidas, por serem cientificamente irrefutáveis. O homossexualismo, por exemplo, é hoje discutido como uma questão de mutação do código genético, descartando a moral. Os militantes gays conseguiram manter o debate no nível “científico”. Nessa esfera, basta provar uma alteração nos genes e está tudo resolvido: O homossexual foi programado, na evolução, para agir daquele modo e não há como interferir em suas “preferências”. Mas o pleito homossexual é pequeno diante das implicações dessa forma de intolerância.

Carlson propõe em seu livro The Gagging of God (O Amordaçar de Deus) que experimentamos uma nova espécie de intolerância. Em sociedades relativamente livres e abertas, a tolerância mais nobre é aquela exercitada para com as pessoas, mesmo quando se discorda de seus pontos de vista. “Essa robusta tolerância para com as pessoas, mesmo quando há forte desacordo às suas idéias, gera uma medida de civilidade no debate público, mesmo quando a discussão é apaixonada.” Para Carlson, o ocidente vive uma tolerância de idéias, não mais de pessoas.

O resultado de se adotar esse novo tipo de tolerância é que há menos discussão dos méritos de idéias conflitantes, e menor civilidade. Há menos discussão porque a tolerância de idéias diversas, exige que evitemos criticar as pessoas por adotarem aquelas idéias. Assim, a Modernidade vai admitindo excentricidades, loucuras, e comportamentos bizarros. Ninguém tem o direito de dizer nada sobre o comportamento de ninguém. Só há problema quando qualquer idéia tenta provar sua superioridade sobre qualquer outra. Imediatamente, o mundo cai. Exclusividade é intolerável na modernidade, principalmente no campo religioso. A palavra proselitismo (na sua concepção técnica) virou palavrão. Cada um na sua. Desde que você não se intrometa com o meu estilo de vida. Ninguém precisa mudar, pois todas as opções religiosas, morais, éticas, filosóficas são válidas, não porque sejam verdadeiras, mas porque todas são igualmente questionáveis. Voltaire dizia: “O que é tolerância? É o apanágio da humanidade. Somos todos feitos de fraquezas e erros; perdoemo-nos reciprocamente nossas tolices (grifo meu), é esta a primeira lei da natureza.”

O resultado disso tudo é um mundo cada vez mais inconseqüente quanto à sua ética, cada vez mais secularizado e cada vez mais intolerante para com a fé cristã, que continua com um discurso exclusivista e proselitista.

Saí do programa da MTV dizendo para mim mesmo. “Incrível como os liberais são fundamentalistas na defesa do seus posicionamentos. Intolerantes! Não aceitam, que seus pontos de vista sejam questionados por outros que pensam diferentemente. Talvez tenham medo de estar errados. ”

Ricardo Gondim Rodrigues

Pesquisa: evangélicos sem igreja

http://www1.folha.uol.com.br/poder/959739-sobe-total-de-evangelicos-sem-vinculos-com-igrejas.shtml

Pesquisa não indica sempre informação, nem conhecimento situacional. Indica por vezes dados e aspectos de uma relidade maior, ou móvel e instável incapaz de ser captada em um instante determinado.

Evangélicos sem igreja, pode querer dizer tanto cristãos como não-cristãos, proto-cristãos e pseudo-cristãos; há pensares cogitando que na definição declarada se traz a sincronia da vontade com o fato. Não é bem assim no existir cristão e em qualquer realidade outra, venho falado muito nesse blog. Aponta alguma problemática geral, se é que geral, contudo, a pesquisa?

Aponta tanto o fato de problemáticas instituições para o cristão, quanto problemáticos cristãos quanto a instituição igreja e também por vezes a vigência Igreja – evangélicos sem vínculo. Mas a minoria é indicativo de uma crise na maioria ou de desgarrar da minoria da maioria?

Optar por um só é equívoco.

Se os sem vínculo migrarem para as missionais, elas serão solução, uma maturidade individual ou um refúgio na tradição histórica? Se migrarem para as neopentecostais, quanto será que se dá uma solução entre um descontraído místico solucionar e uma solução por volume e massa de pessoas (a noção de que mais é melhor sob a volição brasileira de nação idealista)? Em todas, quanto será simplesmente um opção aleatória, devido a sensação de que sem igreja é penoso (e aí eu nem positivo para o congregar)?

Por outro lado, quanto estão resistindo as variações institucionais em conservadorismo e conformismo particulares, no  ilusório status quo anacrônico inclusive ao Espírito (em que nem racionalismos, elitismos de intelectualidade e misticalidade, nem baldes de lágrimas são sinais de presença)?

O status quo, no sentido real de poderio que não é dunamis, é o in statu quo res erant ante bellum. O estado das coisas antes da guerra. Há guerra para toda humanidade que ainda não cessou; impossível a Igreja e a igreja assumirem um ante bellum geral, que as orientará (a paz de Deus com aquele que crê, não funciona por decreto sobre a existência). O mundo não pode ser um convento light de massa – não…? Não mesmo, a disposição precisa ser negada, porque negativa cristandade (algo que ao longo da história, alguns permitiram tratar como valor o que é concreto, como adjetivo, o que é susbstantivo porque antes também é verbo). A Fé não é uma locução adjetiva.

O que é que as igrejas farão a respeito? Farão mais coro insitucional de pureza ampla cada qual apenas consigo mesmas?

Estamos vivendo um momento, não apenas de individualismo de pessoas, mas de comunidades, que inclinam-se para caráter de exclusividade coletiva: a igreja como ilha, a igreja como gueto (de uma auto-discriminação), então a igreja como clube social, e logo a igreja como campo de concentração, a igreja como bairrismo, como exclusão de distintos – quando são inalienáveis semelhantes na Fé. Pregadores subirão ao púlpito apenas um a cada vez para comícios, aulas, saraus, proclamação de leitura de decisões de assembléia geral, incentivos de auto-ajuda, druidismo, ilusionismo, formalismo, realismo.

E o amor de todos se esfriará.

Quando então a atitude coletiva tanto individual cristã vai deter o que pode e deve – e o que tiver que vir de estúpido e nocivo fora do amor, que não venha pela igreja – e assim ela seja abrigo e alternativa como Reino de Deus sem a restrição? Que nunca será demonstração do fato a ser fixado em placas e títulos, crachás de comunidade-indivíduo, cuja cabeça da igreja, é a própria instituição.

Alhos e bugalhos

Antes de recorrer ao estereótipo, rótulo, carimbo ou embalagem, note os matizes. Perceba que uma coisa pode alimentar a outra, e que inocentes dentro de um credo, podem pagar o pato de uma conformação a um ódio social míope, tanto quanto um sistema de crença míope (que parece um, mas é outro – que juram de pé junto ser um; e não é por isso que será). Também porque está sendo moda outra vez repudiar a opção alheia como se fosse a sua (a humanidade não está avançando tanto como se ufana), e de modo extremo.

09/08/2011 - 19h05

Restrição a religiões cresce na maioria dos países, diz estudo

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/957085-restricao-a-religioes-cresce-na-maioria-dos-paises-diz-estudo.shtml

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08/08/2011 - 10h27

Presidenciável atrai 30 mil a culto evangélico no Texas

Retroalimentação em algum aspecto entre ambos há.

Na fé cristã, comportamento e ética de uns para os outros, depende do que se observa e pratica, com o componente fé (Efésios 3: 11, 12 “Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor, No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele.“). Disponível à todos, mas não de adoção geral; não teimem, contrários ou favoráveis.

Escolha cristã, legítima a cristãos, no que diz respeito ao que é cristão. Sem fé individual e livre opção, não se chega a cristão (sinto muito, catequisadores, doutrinadores, dogmáticos, moralistas) – e a nenhuma condição humana voluntária (diga o que quiser, até  quem nega a fé; para negar é também preciso fé). Negar a liberdade para auto-decisões, e não permitir processo humanos nelas, é anti-humanidade. Corrimão de fundamentalismos, decepções e cinismo (questão não apenas religiosa). Ser humano, não é só negatividade e positividade, mas é matizado ser; negar nuances, outra anti-humanidade.

Não é a livre opção de alguém que o faz-lo alvo de ódio – e isso inclui religião, mas também sexualidade, idéias, ações, vontades… Quem odeia é que faz pessoas alvos de ódio. Nem por isso tudo é compatível com o cristão. Mas lembre-se, cristão: nem por isso inferno é automático por decisões. Lembre-se, não-cristão: negar qualquer dimensão humana, é negar humanidade. Ao viver cada um a sua, qualquer um pode-se fazer hipócrita.

Hábito não anula todas as coisas.

Discernir, para bons relacionamentos

E o julgamento, é algo a se evitar, pois somos incapazes, e isso cabe a Deus. Discernir para bons critérios de relacionamento.

Evangélicos sem espetáculo

“Evangélicos sem espetáculo” - Nicholas D. Kristof, The New York Times – Tradução de Anna Capovilla, O Estado de S.Paulo

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,evangelicos-sem-espetaculo,755510,0.htm

Preconceitos, estereótipos, anti-fés e fundamentalismos, tomam atalhos da convivência e do proceder citado – sim, religioso cristão.

Política anti-imigração: barbarismo com aparência humana

DE: http://www.brasildefato.com.br/node/7071

Estamos saindo do amor ao próximo cristão e caminhando de volta para os privilégios pagãos de nossas tribos em detrimento do outro, bárbaro

08/08/2011

Slavoj Žižek

Fatos recentes – como a expulsão dos ciganos da França, ou o ressurgimento do nacionalismo e do sentimento anti-imigração na Alemanha, ou o massacre na Noruega – devem ser vistos pelo viés de um rearranjo que vem ocorrendo há bastante tempo no espaço político da Europa oriental e ocidental.

Até recentemente, na maioria dos países europeus dominavam dois principais partidos que agregavam a maioria do eleitorado: um partido de centro-direita (democrata cristão, liberal-conservador, do povo) e um partido de centro-esquerda (socialista, social-democrata), com alguns partidos menores (ecologistas, comunistas) reunindo um eleitorado ainda menor.

Recentes resultados eleitorais na Europa ocidental e no Leste Europeu sinalizam o surgimento gradual de uma polarização diferente. Agora temos um partido predominante, de centro, atuando em prol do capitalismo global, geralmente acolhendo ideias culturalmente liberais (tolerância ao aborto, direitos dos gays, religiosos e minorias étnicas, por exemplo).

Em oposição a esses, tornam-se cada vez mais fortes os partidos populistas anti-imigração que, pelas beiradas, vêm acompanhados de grupos francamente racistas neofascistas. O melhor exemplo disso é a Polônia onde (após o desaparecimento dos ex-comunistas) os principais partidos são o liberal-centrista “anti-ideológico” do Primeiro Ministro Donald Tusk e o conservador Christian Law, e o Partido da Justiça dos irmãos Kaczynski.

Tendências semelhantes podem ser observadas, como já testemunhamos, na Noruega, na Holanda, na Suécia e na Hungria. Mas como chegamos a este ponto?

Após décadas de fé no estado de bem-estar social, quando cortes financeiros eram vendidos como temporários, e sustentados por uma promessa de que as coisas logo voltariam ao normal, estamos entrando numa época em que a crise – ou melhor, uma espécie de estado econômico de emergência, com sua necessidade de atendimento para todo tipo de medida de austeridade (cortando benefícios, diminuindo serviços de saúde e de educação, tornando os empregos mais temporários) – é permanente. A crise está se transformando num estilo de vida.

Depois da desintegração dos regimes comunistas, em 1990, entramos numa nova era na qual predomina a administração despolitizada de especialistas e a coordenação de interesses como exercício do poder de estado.

O único meio de introduzir paixão nesse tipo de política, o único meio de ativamente mobilizar o povo, é através do medo: o medo dos imigrantes, o medo do crime, o medo da depravação sexual ateia, o medo do Estado excessivo (com sua alta carga tributária e natureza controladora), o medo da catástrofe ecológica, assim como o medo do assédio (o politicamente correto é a forma liberal exemplar da política do medo).

Uma política assim se sustenta sobre a manipulação de uma multidão paranoica – a assustadora correria de homens e mulheres amedrontados. Eis porque o grande evento da primeira década do novo milênio se deu quando a política anti-imigração entrou para a prática corrente e cortou enfim o cordão umbilical que conectava-a com os partidos da extrema direita.

Da França à Alemanha, da Áustria à Holanda, no novo modelo de orgulho de sua própria identidade cultural e histórica, os principais partidos veem como aceitável insistir que os imigrantes são hóspedes que devem se acomodar aos valores culturais que definem a sociedade anfitriã – “este é o nosso país, ame-o ou deixe-o” é o recado.

Os liberais progressistas estão, é claro, horrorizados com esse populismo racista. Entretanto, uma olhada mais de perto revela o quanto compartilham sua tolerância multicultural e o respeito às diferenças com esses que opõem imigração à necessidade de manter os outros a uma distância apropriada. “O outro é bacana, eu o respeito”, dizem os liberais, “contanto que não interfiram demais no meu espaço pessoal. Quando fazem isso, eles me incomodam – eu apoio enormemente uma ação afirmativa, mas em momento algum estou disposto a ouvir rap a todo volume”.

A principal tendência dos direitos humanos nas sociedades do capitalismo tardio é o direito de não ser incomodado; o direito de manter uma distância segura em relação aos outros.

Um terrorista cujos planos fúnebres devem ser evitados permanece em Guantânamo, a zona vazia desprovida de regras da lei, e um ideólogo fundamentalista deve ser silenciado porque ele espalha o ódio. Pessoas assim são assuntos tóxicos que perturbam a minha paz.

No mercado atual, encontramos toda uma série de produtos despidos de suas propriedades malignas: café sem cafeína, creme sem gordura, cerveja sem álcool. E a lista continua: que tal sexo virtual, o sexo sem sexo? A doutrina Collin Powell de guerra sem baixas – para o nosso lado, obviamente – como uma guerra sem guerra?

A redefinição contemporânea de política como arte da administração especializada, política sem política? Isto nos leva ao atual multiculturalismo liberal tolerante como uma experiência do Outro desprovida de sua alteridade – o Outro descafeinado.

O mecanismo dessa neutralização foi melhor formulado em 1938 por Robert Brasillach, o intelectual fascista francês, que via a si mesmo como um antissemita “moderado” e inventou a fórmula do antissemitismo razoável.

“Nós nos concedemos a permissão de aplaudir Charlie Chaplin, um meio-judeu, nos filmes; de admirar Proust, um meio-judeu; de aplaudir Yehudi Menuhin, um judeu; não queremos matar ninguém, nós não queremos organizar nenhum pogrom. Mas também achamos que o melhor meio de impedir as ações sempre imprevisíveis do antissemitismo instintivo é organizar um antissemitismo razoável”.

Não seria esta a mesma atitude que entra em funcionamento quando nossos governantes lidam com a “ameaça imigrante”? Após rejeitar diretamente, à moda da direita, o populismo como “irracional” e inaceitável para nossos padrões democráticos, eles endossam “racionalmente” as medidas de proteção racistas.

Ou, como Brasillachs atuais, alguns deles, mesmo os social-democratas, nos dizem: “Concedemos a nós mesmos permissão para aplaudir atletas da África e do Leste Europeu, doutores asiáticos, programadores de softwares indianos. Nós não queremos matar ninguém, não queremos organizar nenhum pogrom. Mas também achamos que o melhor meio de impedir as sempre imprevisíveis e violentas medidas de defesa anti-imigração é organizar uma proteção anti-imigração razoável.”

Essa ideia de desintoxicação do vizinho sugere uma passagem do franco barbarismo para o barbarismo com uma aparência humana. Revela que estamos saindo do amor ao próximo cristão e caminhando de volta para os privilégios pagãos de nossas tribos em detrimento do outro, bárbaro. Mesmo que esteja sob a máscara da defesa de valores cristãos, esta é a maior ameaça ao legado cristão.

Slavoj Žižek é filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos.

Traduzido do inglês por Leonardo Gonçalves e publicado pela Boitempo Editorial

Texto publicado originalmente em ABC – Religion and Ethics, dia 26 de julho de 2011.

Poderoso para fazer além

Uma música de Hillsong Australia que reflete sobre si mesma também (quem tem ousado fazer isso ao louvar?), além de adorar, e relembra toda uma multidão de impulsivos gospel/mercadistas, melodramáticos, formalistas, racionalistas, doutoristas, dogmatistas de sua leviandade (que a pompa não esconde de olhos disponíveis). Que propõe frequentemente um comportamento qualquer coisa santesca, menos a factual vida cristã, a que muitos intensos em suas variaçãoes de cristianismo (que não quer dizer ser intenso em Cristo) estão gostando muito de apenas aludir – e isso não é nada a não ser carcaça (de que nenhum cristão é livre de ser se não viver cristão, não é?). Dói para alguns pomposos tal colocação, porque o que interessa é uma prevalência, um domínio religioso, que exulta ao ver como concreta realidade quando é apenas falatória censual tais dados  http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/46/Christian_world_map.png , e já não importa a contundência:

“God is able/He will never fail/He is almighty God. | Greater than all we seek/Greater than all we ask/He has done great things.”

Deus é capaz/Ele nunca falhará/Ele é Deus Todo Poderoso. | Maior do que tudo o que procuramos/Acima de tudo o que pedimos/Ele tem feito grandes coisas.

A base da música é Efésios 3: http://www.bibliaonline.com.br/acf/ef/3

Sementes e solos

A Parábola do Semeador de Jesus Cristo, tem sido hoje um dos apontamentos que mais geram caminhos e distinções, tanto para cristãos como não-cristãos, em níveis existenciais, relacionais, sociais, práticos e de crença. Sua amplitude referencia tanto, porque vai ao ponto nevrálgico desde sempre entre humano e divino, que simplesmente é porque é (independente existir do crer). O que não acreditar (ou supostamente acreditar) apenas omite uma realidade posta, diante da qual visões externas (e internas), procuram estabelecer seus próprios uniletarais referentes – que não acessam a realidade humano/divino, iludindo os produtores de tais referentes, e a alguns outros. Não raro, muito do que se entende por ser cristianismo, nem ao menos cristão é, e muita gente faz papel de bufão belicoso, que se detecta no passar do tempo. Detecta-se mesmo, o caráter? Ao menos se detecta na referência, que os bufões belicosos foram vão agressores, que perderam a oportunidade de serem pessoas melhores (como disse Jorge Luis Borges), e seguem pensando ser possível ignorar isso ao longo da vida, como se não estivesse ali sempre presente o elemento deslocador do ser até o fim. A ignorância não extingue o que deriva. Não somos só arquétipos, tipificações; mas em deteminados estágios, humanos possuem sim disposições comuns e limitadas. Fugir disso sempre não amplia a diversidade de opções de fuga. Não se trata de fugir, apenas.

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“Restauração protestante”

Precisamos de uma nova Reforma Protestante?

http://new.projetoaguadavida.org.br/wordpress/?page_id=151 )

http://edrenekivitz.com/blog/2011/06/precisamos-de-uma-nova-reforma-protestante/

Importante texto.

Restauração Protestante, agora será a bandeira que empunharemos?

Contudo existem questões que brasileiros cristãos, que não tem a si mesmos como cristãos médios, precisam responder como todos os demais precisam, antes de qualquer aplauso.

Se de um lado, reformista cônscio não anticristianiza o passado da Igreja, sem cuidado, pode satanizar o presente (como tem se dado mais a fazer por aí), e no futuro terá anticristianizado o que não deve (exatamente como na história já se fez).

O Espírito Santo é Deus, e todos seus caminhos não são sondáveis plenos. O mistério existe; quem quer conviver com ele, nesses tempos hiper-informativos, que excitam a interpretação?

Não há que se defender bobagens e ilusões que são crendices – e muito menos pompas de elitismo, ainda que não intentado. Porque sob desculpa de Protestantismo, Pentecostalismo, Catolicismo, Anglicanismo, se adiciona outros ismos: conservadorismo, fundamentalismo, revisioniosmo e liberalismo (sim). Não por estar no passado em outrem, o individuo que se acha ileso não faz o mesmo hoje. Uma questão nacional e relativa a fé.

Cuidado por onde se vai. Ficar rememorando glórias institucionais quaisquer, no mundo de hoje (e isso inclui igrejas, no mundo), tem por vezes culminado em reposicionamento apenas para retomar poder inadvertidamente, aquém de caudilhos e coronéis, esquerdas e direitas. Quando se troca de mãos, os mais fortes a ponto de perder poder, ou defasam, ou se recolocam de volta ao fim da fila do passa-anel. E nisso o protestantismo não foi algo glorioso, falhou também a seu modo, entrou em disputa também sem inocência, porque as condições permitiam, paralelo a algo que em seu cerne permitiu vínculo. Falamos de Restauração Protestante, ainda com tal componente? Ainda há aqueles, que nem sequer neo-pentecostais, se encastelam na classe média a la burguesia (sem ímpeto de imperar sobre os inferiores hierárquicos), porém diante dos borbotões de miseráveis e de outros mantidos também longe da fé devido ao vício institucional.

Protestantismo revigorado só fará sentido se não cometer os erros antigos, que alguns em auto-eminência não acham que são, e são, porque ainda vigoram desastrosos (ainda que instituídos ou assimilados no hábito). Porque a citada história no texto, também mostrou que demasiado protestantismo, se foi necessária ruptura com romanismo, também foi algo que desconsiderava oportunistamente constantes ações que Deus fazia em sua comunidade cotidiana, em substituição advinda de distinto repertório (e isso em péssima hora e leviano proceder; não que não sejamos humanos, que nunca fazemos isso – mas roto também fala de rasgado, não esqueçamos). Não é só o outro que depreda a Sola Scriptura, não. Desde o sec XVI a referência não é incólume, atenção aí.

Não falo dos errões históricos e contemporâneos evidentes; falo daquilo que não implica em Restauração Protestante na gente mesmo, aqui e agora, pela via individual, que não é não sempre o comodista ” individualismo burguês decorrente do modo de produção capitalista e da urbanização”. “Fazer o quê…”, rapaz? Você não estranha a dificuldade de trânsito entre individual e coletivo, isso não sendo lei, mas pela convenção se habituando você como se fosse?

Habitando Deus no homem, em determinadas horas Ele não desliga, simplesmente. Modelos, sejam episcopais, congregacionais, o que for, são também o que está disponível, e muitos dão a continuidade a eles de modo a achar que esse é O modelo, no mínimo passível de diagnóstico e controle por ajustes. Não adianta falar de histórico quanto ao modelar, porque isso é desfiliação factual; a história de um, não é a história de todos, porque é história é contada por um; A História contada por todos é A História (aliás, interessante aspecto na cristã, reparou? “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo”).

Não se trata de demolir a historicidade do canônico, mas de saber que o que sustenta o canônico, é Deus, e também fé. Deus sustenta o modelo, que MUITOS não acessam e esse é um pepino anterior. Ora, que implica quanto ao modelar praticado, ou não, ou a ser: qual é o modelo divino a praticar, praticamos? Por vezes é do humano não praticar isso, e por vezes, aludir ao protestante é aludir sim ao humano como sendo divino. Prontos para tal renúncia? Pois o componente que abala tudo isso, é justamente: sabendo o que fazer agora, por que não fazemos? Por que a Igreja não faz? Aí, Restauração Protestante, sem cuidado, pode ser ufanismo farisaico no fim. Algumas natimortandades são pecado.

Modernos não querem ser Pós-modernos; vice-versa. Mas “Examinai tudo. Retende o bem”; por vezes não se escolhe lados. De escolher lados, também caímos onde caímos.

Apenas reafirmar e emplacar Restauração Protestante (já incomoda o rótulo para alusão), pode ser apenas o reacionário diante de algo que em nossa percepção não presta, mas é divino. Como lidar com isso? Só com consciência do que se sabe, de passado, presente e prognósticos pode ser muito insuficiente. Aí se depreda a Sola Fide.

Se oscila em demasia por vezes, entre racionalismo e particularismo. Por vezes se fica muito entre “Saí do meio deles” e “Não vos associeis com aquele que”. Mas tem dose de protestantismo que precisa cair de uma vez no “A César o que é de César”, e sacar-se em uma dinâmica reducionista, que é por vezes no fato querer mais é ser César aí no cantinho sossegado, sem assumir. Existem Conservadores liberalistas e Liberais conservadores. À margem da noção, Restauração pode durar só no curto prazo (que em medidas da história da Igreja, dura mais), tal qual Evangelicalismo que alguns forçam o colapso – na prática.

Em meio a multidão se distingue o remanescente do “Apartai-vos de mim”, sem os segundos acharem que são os primeiros. Em toda essa percepção Deus não tem nada a ver com ela? Levar pra esfera do Tabu ou se tranqulilzar ante a isso é nocivo em mesma proporção.

É como em blogs cristãos: dialogamos em comentários com o que achamos importante acima da gente, aliviados porque alguém disse aquilo que não conseguíamos dizer, mas intuíamos que era desse jeito (Ah, como temos razão aqui no nosso cantinho) – só que entre nós mesmos, não dialogamos via comentários em blog, pra nossa visão redundar em ação prática NA VIDA. No fim, talvez se esteja apenas à esmo até pintar um novo modelo.

Ainda prefiro Jesus Cristo (fala fácil…). Bom se sob protestantismo saudável; nulo, se sob protestantismo vai-da-valsa (que nem sempre nasce no texto, mas no leitor). Que nasce em Deus, mas no relaxo humano se desvirtua no humano (e alguns entendem devido ao humano, que é em Deus). Não existem soluções imediatas e para alguns problemas não basta só começar. Talvez isso seja o que o cristianismo tenha por demais ignorado na história. Hora de fazer distinções. A importância do texto passa por aí, também – leviano achar que ele basta como marco.

Pecados sociais

http://www.tvbetesda.com.br/index.php?option=com_contushdvideoshare&view=player&id=83&catid=24&id=83

A outra perspectiva

O que Jesus Cristo fez foi tão intenso e revolucionário, que hoje chega a parecer para alguns que o Diabo não existe.

Sistemas e modos de vida

“É chegado o Reino dos Céus.”

Daí pra frente nada mais foi o mesmo.

Mas há e houveram os que dizem que a coisa não é bem assim, o mundo continuou mundo,  aqueles que portavam as mudanças apenas se tornaram análogos ao mundo à quem diziam ser solução e distinção para algo melhor.

Quando bate a mesmice em quem faz comparação, quando a solução parece só mais uma ilusão, é porque ao longo de um período (a que é possível dar o nome de História, muitas vezes), erraram no que não deveriam (porque detinham uma continuidade, mas pode ser que não a quiseram mais), podendo achar que estavam indo bem sem notar que se equivocavam, e assim prosseguiu-se (não se assumiu, e as geração posteriores, tomaram sobre si o equívoco; até o dia em que dispensaram o equívoco, e com ele a chance de desfazê-lo).

A proposta Cristã é contracultural, sim (“Me fiz de (…)”). É contra uma realidade vigente que em si mesmo mostra mutilações, traumas e sufocações. Esferas de poder, políticas, sistemas sociais patológicos, moralismos e éticas utilitaristas, e todo projeto de mundo que se mostre uma falência plena no ideal e na prática. Este projeto mesmo, que você e alguns cristãos zelam pela ordem nele, a ordem pela ordem, a ordem e o progresso, a ordem que nunca é o chão do amor, como deve ser para ser ordem de fato (se ela vir antes, o intento é de controle, ainda que só na eminência parda). Enquanto houver raça e etnia, Babel será uma punição, não tanto a persistência divina em continuar mesmo depois do caos (nada está perdido àquEle que busca) em seu projeto de Crescei e multiplicai-vos, espalhando-se pela Terra e cobrindo-a; Babel nunca converge no Pentecostes restaurador, ampliador de um novo tempo que funciona de fato.

O Reino de Deus não é um jargão ou uma força de expressão. Cristãos sabem disso – mas há cristãos que não sabem; onde andará a incógnita dos segundos…?

O Reino de Deus não é o céu (o Apocalipse fecha com o Céu descendo à Terra, não com cristãos escapistando do mundo pra nunca mais voltar – um nome ao boi, talves: babelismo). O Reino de Deus é um modo de vida que traz o céu para a Terra. Um modo de vida, na história, e hoje, e sempre.

Mas na história e hoje, o Reno de Deus não funcionou tanto como propunha; e não é falha do Reino. E passa da hora de isso deixar de ser escândalo (e esse aqui não se filia àquele do ai de quem comete), tanto quanto deixar de ser sustentado como o Reino de Deus que ele não é.  Não funciona como proposto, porque há um “Reino de Deus ” que é preciso anunciar com aspas (e talvez desevangelizá-lo, porque é falsa boa-nova).

Em algumas instâncias, houve o Reino de Deus até certo ponto, um modo de vida outro do projeto de mundo pateta (porque pathos não é vida, é só uma imitação), mas após declarações imperiais, sociais, culturais, o Reino mingou e deu lugar ao “Reino” – um sistema paralelo ao sistema maior a que era divergente. Nesse sistema, avizinhou-se a outros menores como mais um centro de poder; e muitos, não alguns, ousaram chamar de igreja.

Enquanto outros muitos negam isso por que são de fato Reino de Deus, cotidianamente ao longo de milênios, e pela eternidade seguirão sendo; Igreja.

Sim, encare: o Reino de Deus em um coletivo e no indivíduo pode secar, tornar-se ao longo do tempo apenas um sistema dentro de um maior (a que deveria ser incompatível, mas uma vez nele, não mostra senão que é apenas mais um dispositivo dele), virar um instituição distante e ausente do que se mostra manifesto em eco: Igreja. Secado o agora sistema com vocação elitista que vive assim, enquanto bilhões morrem de fome hoje no mundo, o sistema apenas vive cuidando de ir nos cultos todos os dias dos horários, trazer mais crentes a cada dia para os mesmos, fazer assembléias mensais para discutir estatuto/escola dominical/a formação de líderes, de se doer do críticalismo inadmissível de alguns membros, de legislar o que não é de bom tom praticar ou trajar no templo, de ensinar, de louvar, de pregar – e aí de quem não fizer ou mau feito fizer. Institucional, não Igreja; sistema, não Reino de Deus. Perdeu-se a amplitude de Jesus Cristo ao se perder na amplitude de um sistema, por exemplo, civilizatório, ou um apenas dignificante formalista religioso. Mornos.

Mas mesmo não-cristãos, aborrecem o sistema maior. Uns clamarão por um outro sistema, melhor e mais justo; que logo se deteriora para o mesmo sistema anterior. Algumas revoluções não bastam mesmo custando caro. Um outro modo de vida é necessário, uma outra realidade, no mundo, distinta da realidade do mundo.  Nada do panaca bradar fugere urbem (http://www.textolivre.com.br/poemas/17849-fugere-urbem). A realidade divina está a disposição, ainda que os que migraram de Reino para sistema tenham parado exibir isso vivendo – o que é mais forte do que anunciar.

Faz sentido agora, muitos dizerem ser coisa de cristianismo descolar um cantinho no céu, e claro é por puro escapismo (sim, a la Babel, também – “Pela torre, fujamos para o lugar dos deuses, esse mundo é de sofrimento”), e isso ter sua dose de fato. Faz sentido eu e muitos discordarem de você, dizendo que não é porque dizem, que tudo é babaca de verdade. Talvez não faça sentido ainda, por falta de hábito e convivência com o Reino de fato, viver o Céu na Terra, algo contundentemente possível. Pois o Rabi Jesus Cristo, chamou para Talmidim (discípulos) os que não eram aprovados e qualificados pelo institucional jugo (doutrinas e saberes ao longo da ancestralidade), mas justamente os que não eram peritos e aprovados no jugo; além disso, não restringiu isso a um séquito de escolhidos diferentes daqueles dos demais séquitos. Reino de Deus está para além disso, desenvolvido e pulsante, é muito além da religião, cultura ou do intento manipulatório, que ao tocá-lo, é como água, como um rio que não pode ter seu curso alterado só de tentar puxar seu leito com a mão noutra direção. O Rabi chama a qualquer um para ser com outros,  Reino inextinguível sobre a pele do mundo; para ser A pele do mundo.

E isso está disposto até os que foram Reino, tornaram-se instituição/sistema à moda do Sistema, e disso podem voltar a ser Reino. Mas alho não é bugalho, afirmar isso não é nada conservador ou fundamentalista, óh oportunista; já deu, larga de cara-de-pau, santo-do-pau-oco.

Radioactive – Kings of Leon

When the road is carved of yonder
I hope you see me there
It’s in the water, it’s where you came from
It’s in the water, it’s where you came from

When the crowd begin to wonder
And they cry to see your face

It’s in the water, it’s in the story
Of where you came from
Your sons and daughters in all their glory
It’s gonna shape up
And when they clash and come together
And start rising
Just drink the water where you came from
Where you came from

Your road, it was cold from yonder
Never sold yourself away

It’s in the water, it’s in the story
Of where you came from
Your sons and daughters in all their glory
It’s gonna shape up
And when they clash and come together
And start rising
Just drink the water where you came from
Where you came from

It’s in the water, it’s where you came from
It’s in the water, it’s where you came from

And when they clash and come together
And start rising
Just drink the water where you came from
Where you came from

Uma cântico a se cantar de contínuo

Porque o fim da lei é Cristo
Pra justiça de todo que crê
A justiça que é pela fé
no Filho de Deus.

A quem Deus ressuscitou
para nossa justificação
Aleluia, grande salvação.
Aleluia, grande salvação.

Cada vez mais é necessário a Igreja lembrar-se das palavras que o cântico contém. Sim, porque não são palavras geradas pela composição musical; derivam e trazem em si a Palavra de Deus. Palavra, para um pode ser poesia, para outro ofensa.

Nada de ritos pela música, que em si mesmos não levam a Deus (lembrem-se, consumidores e comerciantes gospel). Mas insisto, pela música, que leva à Palavra: a Nova Aliança em Cristo é o fim da lei – que antes, pelo guardar, amar e obedecer, previa benção ou maldição, mas agora, prevê intimidade com Deus. Muito mais valiosa, muito mais viva e coerente consequência na relação como divino. Aliás, gurada em si não tanto uma consequência, mas um processo e um objetivo; um esta, previamente, então uma existência e nada além, tudo nela.

Deus errou antes? Não, enfermaram a Lei. Aqueles que zelosos de religião sobre a vida (que ainda existem vigentes), maquinizaram e objetificaram o imput divino no humano. O imput em si mesmo não se profanou, mas é como se a percepção humana tivesse se tornado incapaz de dinstinguir-se perante Deus. A via se tornou circuito, sempre retornando ao homem, quando dizia ter passado por Deus (quando necessário é sempre permanecer nele). Circuito condutor de energia, fechado, curto-circuito.

A defasagem indica um novo degrau na vida, uma proximidade ímpar ao Pai em toda história e eternamente, muito melhor do qualquer benção. Não motiva o fazer para alcançar benefícios próprios menores, motiva o inserir-se na superior circunstância, e revolve a vida, injeta a Vida.

A pobreza como susposta maldição é re-siginificada? Não, é transcendida, minorada; café-com-leite. Encândalo; mais um: bem-vindo à loucura da pregação. Que insiste: há muito mais que bençãos como necessidade humana, e esta satisfação não é um paliativo (como benção sobre benção se torna, dentro na busca de um resultado; enquanto Deus faz brilhar o processo, porque o Objetivo, é Ele mesmo – e o processo, está nEle). Uma intensa filiação a Deus, em que existência finalmente funciona. Penso, logo existo, em termos; penso, logo, penso; e a essência não é tudo.

O pedido de uma nova ótica e posicionamento na Fé. O legalismo, tanto criticado, esta muito mais presente e sutil do que se pensava; está sorrateiro em mim, está em você, cristão há décadas, há dias. Há muito mais que isso. Todos sabíamos que é Deus, mas nossa busca a Ele, pode se tornar paralela a Ele, depois perpendicular; por isso que sabendo ser Deus, talvez acabamos buscado só o poder de Deus, segundo nós mesmos. Já não buscamos a Deus; buscamos em nós Seu poder, desvinculado dEle, marionetando Ele, como se isso fosse possível. Pior pra quem?

Conselhos irônicos

Acabemos com a falsa modéstia. Admita! Você é o máximo. Decorou grandes trechos da Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, lê a Bíblia em hebraico, elaborou um manual que explica as aparentes contradições do texto sagrado, discute teologia com padres ortodoxos em russo e entende de arqueologia.

Não há quem lhe conteste quando você discorre sobre Shakespeare. Os auditórios se encantam com a sua crítica de Victor Hugo. Ninguém explica tão bem as peculiaridades artísticas de Michelangelo. Você retoca a obra de Pablo Picasso, Gaudí, Frida Kahlo.

Para você, Hegel foi um tonto; Spinoza, um blasfemo; Voltaire, um delirante; Marx, um endemoninhado. Sua censura a Freud é irretocável. Essa turma não passa de instrumento da maldade, sempre a conspirar pela ruína humana.

Você merece ladear o Diogo Mainardi no Manhattan Connection, compor o Conselho de Doutrina da sua igreja. Candidate-se a professor do seminário de sua denominação, seu perfil fundamentalista vai fazer sucesso.

Mostre a cara, não seja tímido. Gente ilustrada como você, informado pela revista Veja, fã do Reinaldo Azevedo, e da escola política do Olavo de Carvalho, não pode ficar no anonimato.


Soli Deo Gloria

POR: Ricardo Gondim - http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=65&sg=0&id=2036

Social Distortion – I was wrong

When I was young,  I was so full of fear
I hid behind anger,  Held back the tears

It was me against the world, I was sure that I’d win
The world fought back,  Punished me for my sins

I felt so alone, So insecure,
I blamed you instead And made sure I was heard

And they tried to warn me  Of my evil ways
But I couldn’t hear What they had to say
I was wrong, Self destruction’s got me again
I was wrong, I realized now that I was wrong

And I think about my loves,  Well I’ve had a few
I’m sorry that I hurt them,  Did I hurt you too

I took what I wanted, Put my heart on the shelf
How can you love me When you don’t love yourself

It was me against the world, I was sure that I’d win
The world fought back, Punished me for my sins

And they tried to warn me Of my evil ways
But I couldn’t hear  What they had to say
I was wrong, Self destruction’s got me again
I was wrong, I realized now that I was wrong
I was wrong (2x)

I grew up fast, I grew up hard
Something was wrong From the very start

I was fighting everybody, I was fighting everything
But the only one That I hurt was me

I got society’s blood Running down my face
Somebody help me Get outta this place

How could someone’s Bad luck last so long
Until I realized That I was wrong


I was wrong, Self destruction’s got me again
I was wrong, I realized now that I was wrong

Segure-se quem puder

Quando o homem peca pela primeira vez em meio a existência, como expresso lá em Gênesis, uma das primeiras medidas de contenção é vetar o acesso a árvore da vida; o viver eternamente.

Porque o mal que o homem lança sobre si mesmo mediante os próprios pecados é maior que a vida. Imagine o serial-killer que a polícia nunca apanha, pois sabe os métodos de sempre escapar, vivendo para sempre – a pilha de vítimas só aumentaria; e o senador salafrário, no recôndito palaciano enriquecendo indevidamente às custas do mundo, vorazmente – a pele do mundo seriam os famintos, pestilentos e miseráveis; ou você, que manda seu amado parceiro para o raio que o parta nas horas de fúria – seu amado parceiro agonizaria na morte do próprio afeto, que você feriu seriamente, mas que a ferida faz o ferido muitas vezes matar-se. Há utilidade na morte, até benefício.

A contenção divina é a beleza da morte? Lirismo fútil. Virtude e urgência de quem fez o mundo para em amor andar com ele, mas o mundo não andou (não porque deveria, porque faz muito mais e todo o sentido andar). Então a virtude produz dor ao conter o mal que qualquer mão é capaz de produzir, e a mão depois do mal não quer conter. Vitimar Deus, pessoa que sofre. Não como suas criaturas. Sofre, porque Deus não é uma estátua imutável; seu caráter o é, mas ele é vivo, e se alegra-se, é porque saiu de uma estabilidade, se entristece-se, é porque sofre. E não, o Criador não é só uma trindade de sentimentos – dos quais alguns gostam de dizer que é ira.

Entretanto, Deus abre a fenda na existência em Jesus Cristo. “Negue-se a si mesmo”: para que as mãos não sejam levianas ao produzir o próprio mal; nos seus tendões correm o combustível do motor alma. Na fenda, Deus em meio aos homens sendo homem durante 33 anos, nega-se a si mesmo; e morre. Sem a morte que é maior que a vida. Fracasso; mas o mistério o revoluciona. A morte que Deus morre engole a morte e a vida sem engasgar-se.

Quem antes morrera pela morte de seus próprios dedos, pois não quis conter metacarpos, tem chance de não cortar a mão para evitar infernar-se. Não mais pela contenção de não acessar a vida, mas pela entrada no Reino de Deus (vida, viver), onde se acessa também a vida, onde cada parte do corpo volta a movimentar-se, sem contenção alguma.

Por ANG

Porque odiar religião

Legendado, mas ao fim há leve desync.

Do Capítulo 12

capdoze

No Império Romano e, de certo modo, no próprio César, nações divergentes são reunidas, sua autoridade reconcilia antigos inimigos pela Pax Romana. Para Paulo, porém, não é em César, mas em Cristo que toda as coisas são verdadeiramente reconciliadas. E como a Pax Romana é reforçada? Pela ameaça de rápida, terrível e letal tortura na cruz para todo aquele que questionar a supremacia romana – ameaça esta que era ilustrada e confirmada de forma real e dramática à beira de muitas estradas que conduziam às grandes cidades por todo o Império. Em outras palavras, a paz romana podia ser preciosa, mas a um altíssimo custo – muita brutalidade, muito medo, violência e sangue são exigidos para que e mantenha essa paz. (Santo Agostinho, ciente desse alto e sangrento custo, disse que a única diferença entre um imperador e um pirata é a quantidade de navios e armas que cada um possui).

E aqui talvez se encontre o mais surpreendente contraste de todos: a paz do Reino de Deus não vem através de violenta tortura ou da exterminação impiedosa dos amigos do rei; vem antes por meio do sofrimento e da morte do próprio Rei. A Pax Christi não é a paz da conquista, mas antes é a paz da verdadeira reconciliação.  O Rei não alcança a paz pelo derramamento de sangue dos rebeldes, mas – espero que o escândalo e a admiração acerca disso não se percam por serem as palavras tão familiares – derramando o seu próprio sangue.

E qual é o objetivo desse sacrifício de tamanho sofrimento, dessa autodoação a custo de sangue para alcançar a Pax Christi? É uma nova e duradoura reconciliação entre a humanidade e Deus, e entre todos os indivíduos e grupos rompidos que compõem a humanidade. Em outra de suas cartas, Paulo colocou a questão da seguinte forma: “Não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, homem nem mulher, pois todos são um em Cristo Jesus” (ver Gálatas 3:28). Hoje em dia, ele poderia falar do veterano de guerra com aquele que protesta em favor do pacifismo; da neta tatuada e que usa piercing com sua empertigada e bem comportada avó; dos ortodoxos com os católicos e dos pentecostais com os batistas; dos cristãos com os judeus e dos muçulmanos com os hindus; dos tútsis com os hutus, e de ambos com os twas; dos republicanos de direita com os democratas de esquerda; dos crentes com os incrédulos.

O que é esse conjunto de relacionamentos reconciliados senão o Reino de Deus? Paulo trata desse mesmo tema em Efésios 1:9-10 “[Deus] nos revelou o mistério de sua vontade, de acordo com seu bom propósito que ele estabeleceu em Cristo, isto é, o de fazer convergirem em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos.” Essa unidade – essa convergência de todas as coisas em Cristo – é mais uma forma de se traduzir o Reino de Deus.

Por Brian D. McLaren, em A mensagem secreta de Jesus – Desvendando a verdade que poderia mudar tudo – Thomas Nelson Brasil, 2006. Tradução de Pedro José Maria Bianco.

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Leitura bíblica pós-moderna

Há quase 20 anos eu ouvi um sermão de um pregador negro norte-americano chamado Tom Skinner que abalou minhas estruturas. Foi um daqueles defining moments da vida. Tom Skinner nasceu e cresceu no Harlem, bairro negro de Nova Iorque, na década de 1940 onde, segundo ele, “era comum acordar no meio da noite com os gritos de uma mãe que havia percebido que seu bebê de suas semanas de vida fora mordido por uma ratazana até morrer”. Depois de ter sido líder de uma violenta gangue de rua na adolescência, Skinner experimentou o poder transformador do Evangelho e tornou-se um líder respeitado na luta contra a injustiça e a pobreza, e a favor da reconciliação racial. Tom Skinner costumava dizer: “Se Cristo é a resposta, quais são as perguntas?”

O que ouvi Skinner pregar que ainda hoje ecoa em meus ouvidos é sobre a nossa tendência comum de ler a Bíblia sem o compromisso de uma interpretação correta da mesma. Ele falava sobre o que era comum em muitos grupos pequenos de estudo bíblico nos EUA (e talvez não apenas lá, mas em muitas partes do mundo). Um grupo de cristãos se reunia em uma casa para estudar a Bíblia. Eles escolhiam um texto para ler e, depois da leitura, o “líder” do grupo se dirigia a cada um dos participantes e pedia para que cada um expressasse o que aquela passagem significava para si. Depois de todos terem falado o que a passagem lida significava para si mesmo, o estudo bíblico era encerrado, geralmente com uma oração. “E todos saiam de lá sabendo o que aquela passagem significava para fulano e sicrano, mas sem saber exatamente qual era o significado real da passagem”, dizia Skinner. Era por isso, ele apontava, que havia milhares de grupos de estudo bíblico nos EUA se reunindo em lares a cada semana e, no entanto, produzindo tão pouco em termos de mudança de vida e da sociedade norte-americana. Era pela falta de um compromisso com uma leitura e interpretação séria da Bíblia, que muitos americanos de classe-média podiam ler a Bíblia sem levar em consideração as centenas de versos que falam sobre o compromisso de Deus com os pobres (e o chamado para que o povo de Deus tenha um compromisso semelhante) e o clamor profético pela justiça social. E é esse estudo subjetivo e descompromissado das Escrituras que parece estar ganhando força novamente.

Uma das regras básicas de interpretação bíblica é que a Escritura é a sua própria intérprete. Antes de perguntar o que uma passagem significa para mim hoje (ou para qualquer pessoa), uma interpretação ortodoxa das Escrituras exige que eu me empenhe em descobrir o que essa passagem significava para o escritor da mesma e para os seus leitores na época em que foi escrita. Muitas vezes é preciso considerar também a relação dessa passagem específica com o restante das Escrituras que tratam do mesmo tema. Somente depois de ter feito isso é que eu posso perguntar o que a passagem significa para mim hoje. Sem esses passos, dificilmente teremos uma leitura transformadora das Escrituras. E o que mais a geração emergente de discípulos de Jesus deseja – uma revolução espiritual – não irá acontecer.

Tudo isso soa ultrapassado e estreito demais para aqueles que estão seguindo as idéias pós-modernas como lente e filtro para a leitura da Bíblia e a prática da fé cristã. Para estes, não há significado algum no texto a não ser o significado dado pelo leitor do texto. O conclusão lógica para esse tipo de leitura bíblica é a relativização das Escrituras e, conseqüentemente sua perda de qualquer autoridade (uma vez que a autoridade é transferida para o leitor e intérprete do texto). Este é um caminho perigoso e infrutífero que muitos cristãos emergentes serão tentados a seguir nestes tempos de pós-modernidade. A ironia disso é que, embora a igreja emergente esteja buscando um novo Cristianismo, se seguir por esse caminho de leitura e interpretação das Escrituras, estará repetindo os erros que marcaram o liberalismo alemão do início do século passado e que levaram boa parte da Europa a ser morta espiritualmente como hoje.

Jesus disse: “As minhas palavras são espírito e vida”. Quando a Bíblia se torna relativa por meio de uma leitura e interpretação sob as lentes do pós-modernismo, o futuro da igreja que segue por esse caminho tem cheiro morte.

Por Sandro Bagio, 28 de julho de 2008, em http://www.renovatiocafe.com/index.php/Artigos/Emergente/Leitura-Biblica-Pos-Moderna.html?mosmsg=Agradecemos+seu+voto!#josc205

Ariovaldo Ramos – A igreja da multidão e a Igreja dos discípulos

Algumas de Rob Bell

“Para mim, o terceiro caminho de Jesus é sempre perguntar se existe uma trilha subversiva, brilhante e criativa.”

“Na minha experiência, vi pessoas através do espectro, odiando as igrejas para serem apaixonadamente envolvidos em igrejas fazendo grandes atos de cicatrização e restauração.”

“Estamos numa convergência muito incomum de poder, igreja, religião e Jesus, onde um pastor cristão ora na inauguração presidencial. O que isso quer dizer?”

“Estou astuto de pessoas que têm idéias muito claras sobre o que estão fazendo a partir de fora de si mesmas. ‘Você deve entender que estou fazendo isso e isso’. Eu diria que nos últimos 10 anos tentei convidar pessoas para confiar em Jesus. Você pode confiar em Jesus. Você pode confiar no seu passado, presente e futuro; pecados, erros, dinheiro, sexualidade. Eu penso que Jesus pode ser confiado.
Freqüentemente ponho dessa maneira: se existe um Deus – alguma sorte de ser divino, mente, espírito, e tudo isso não é somente uma chance fortuita -, a história tem algo a ver com isso e você tem uma conexão com o que quer que seja – isso é incrível. Duro e incrível e criativo e desafiador e provocante.
Existe um grupo que diz que esse ser divino, quem quer que seja, esteve entre nós como carne e sangue. Andrew Sullivan fala sobre essa imensa ocasião que o mundo não pode suportar. Então uma igreja seria esse mistura contraditória entre presunção – uma tumba aberta- e entre humildade e mistério. As contas da Ressurreição estão bagunçadas e não enfileiradas uma com a outra. Até agora algo momentâneo tem arrebentado à frente o meio da história. Você somente tem que ter fé, e consegue apanhar alguma coisa.
Gosto de dizer que pratico o misticismo militante. Estou realmente certo de algumas coisas que não sei completamente.”

Excertos da entrevista por Mark Galli, para Christianity Today International, traduzida por Sulamita Ricardo, para o site Cristianismo Hoje, em “A grande história” – http://www.cristianismohoje.com.br/retrancas/A%20grande%20hist%F3ria/38421

Rob Bell 03 – Trees

Com legendas em português-BR, que não necessitam ser acionadas.

Do Homo-Sapiens ao Homo-Christus

Não rejeite ao que fala com você; porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram as advertências feitas na terra, muito menos nós, se nos desviarmos Daquele que dos céus nos fala.

Dele é a Voz que já moveu a terra muitas vezes ao falar, mas agora Ele mesmo anunciou, dizendo: “Ainda uma vez moverei, não só a terra, mas também o céu.”

E esta palavra: Ainda uma vez…, mostra a mutabilidade das presentes coisas, como sendo coisas corruptíveis, e propõe a direção das coisas permanentes.

Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a Graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade; Porque o nosso Deus é um fogo consumidor.

As palavras acima são de alguém que de fato conhece a natureza de Deus por experiência.

Ele sabia que o caminho de Deus vai de perfeição em perfeição, conforme a fase da jornada; e sabia que Deus cria abalando e removendo, refazendo, apontando na direção que venha a corporificar a incorruptibilidade, mas que primeiro se tem que conhecer as coisas corruptíveis, a fim de que se herde as incorruptíveis.

A viagem toda do Cosmo e de todas as existências — apontam na direção de crescimento e de evolução.

No entanto, a evolução que quase nenhum evolucionista deseja admitir, é esta evolução proposta pela revelação de Deus, e relatada pelo escritor da carta aos Hebreus: a evolução das coisas corruptíveis para as coisas incorruptíveis; a jornada para além das estrelas; o caminho ao clímax supremo; o patamar do máximo de tudo; a transformação do ser em plenitude divina pela absorção da natureza divina pela via da Palavra da Vida [conforme diz Pedro na 1ª epístola].

Aí é demais…

Sim! Pois a evolução que o homem quer e reconhece na natureza das coisas que se corrompem, é a evolução dentro da mortalidade; aliás, é evolução em razão da própria mortalidade de todas as criaturas.

Afinal, a busca do homem é por imortalidade e não por vida eterna.

Desse modo, se quer evoluções dentro da mortalidade e da corruptibilidade, mas não na direção da vida eterna.

O salto, no entanto, na direção dessa última evolução, é dado contra o instinto de sobrevivência, contra o “si mesmo”.

Na evolução natural privilegia-se o “si mesmo”, pois, é a sobrevivência dos mais aptos.

No entanto, no ultimo salto da evolução, a mente tem que se desenvolver como consciência contra o instinto; e isto só é possível no ambiente da natureza, pela via de algo completamente alienígena na natureza, que é a fé que diz que para além da matéria há espírito; e que diz que o caminho para o mergulho infinito no espírito acontece pelo morrer do “si mesmo” hoje, em processo; e, depois, pela morte como cessação do corpo.

Ora, tal último salto somente acontece de modo consciente pela fé em Jesus.

Sem a consciência explicita que advém da fé em Jesus, fica a infinita Graça de nosso Deus, que, em toda parte, se revela aos que O buscam, mesmo quando a pessoa não tem um Nome para dar a Quem de fato busca; mas que, em buscando, submete o instinto animal à compaixão e à misericórdia; ou seja: escolhe o amor, a justiça e paz como marcas de sua vida — pois estas são as marcas do Reino de Deus, que é Fim Ômega da existência.

O homo-erectus comeu do fruto da “Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal” e se tornou homo-sapiens.

Quando o homo-sapiens não come da “Árvore da Vida” em Jesus, ele morrer quando morre. Ou, no máximo, existirá sem pessoalidade e a consciência de si, se não abraçar as chances da misericórdia de Deus na Luz da Decisão ante a Eternidade. Mas, enquanto isto… na terra ou em qualquer ambiente espiritual, viverá no inferno como existência, quando na sua existência na há a vida do amor.

Quando o homo-sapiens come da “Árvore da Vida” em Jesus pela fé, ele inicia o caminho da transformação em homo-christus, a qual vai acontecendo em processo, na medida em que ele negue o “si mesmo” e abrace o amor; e, depois, quando, sem medo do morrer, ele deixe o corpo mortal e se torne plenamente homem segundo Deus.

A maioria, todavia, prefere apenas a evolução dentro da mortalidade, não vendo que tais coisas são ainda apenas parte das coisas abaláveis, sendo que nosso último chamado é para fazermos hoje e já a escolha pelas coisas inabaláveis, que são todas as coisas do amor.

A via deste caminho é pelo fogo da santidade de Deus, que vai queimando tudo o que seja queimável em nossa existência entupida de banalidades feitas coisas importantes pelo nosso olhar corrompido pela morte como desejo.

Nele, que nos chama para sermos segundo a imagem de Seu Filho,

Caio
27 de janeiro de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

Por Caio Fábio D’Araújo Filho

Deus está morto

“Tá não, cê parou no tempo.”

“Que?”

“Deus estava morto, mas ressuscitou.”

“…”

Marc Driscoll

É possível acionar as legendas do vídeo no ícone à esquerda inferior do player.

O beco

Outro dia, conversando com um amigo não crente, propus a revisão do conceito de aprimoramento humano. Por exemplo, somos mais livres, mas sob preço da facilitação inconteste de realizar desejos, que assumimos como necessidades e pelos quais somos cada vez mais impelidos a cumpri-los sob a agenda exigente de alguém ou nós mesmos (somos livres?); somos mais conhecedores, mas em troca da multiplicidade de informação leviana (conhecemos algo?).

Nego as utopias tradicionais, pois se elas tivesses sido capazes de trazer efetivas benesses ao ser humano, trariam sem aprimoramento de si mesmas; elas já tiveram sua oportunidade prática. Se necessitaram de aprimoramento, eram prontas utopias defasadas (que muitos, inclusive eu, entenderam que eram possíveis – nos enganamos); não são as mesmas, pois aprimoramento é transformação.

O fim da História? Esta é uma das conceituações no presente pensamento que pede urgente reexame, pois seu reflexo no real mostra exatidão mínima, nula, provavelmente: as ruas estão cheias do ideal? Se tiverem, a própria noção do perfeito tem sido uma escancarada hipocrisia nociva. Os campos plenos de seus frutos e de alegria bucólica? Pra alimentarem uma geração que em parte menor parasita sua maior parte, deficiente da mesma alimentação – e é impossível a menor parte negar isso diante dos fatos.

Voltando ao amigo, o que eu disse é que nós humanos parecemos estar todos nos congregando num beco que pensamos ser evolução humana, e que na verdade só se fica indo de encontro à parede do beco. Estamos dando com o nariz no muro, e nos elogiamos e estimulamos por isso e nisso.

Não se trata de quebrar a parede, explodir o beco, reurbanizar a rua. Trata-se de conversão na estrada da vida (que se pensava longa, e na qual se corre, mas se pode parar), para a tomada de novos rumos. Isso só é possível mediante a alguém conhecedor íntimo da condição humana, mas conhecedor para além da capacidade humana de conhecer. Este é o que conhece as bases do que constitui o humano, por isso pode fazer-se humano, pelo humano suplantar e alcançar o que era impossível a humanidade, e por fim, colocar o humano em estado de profunda intimidade com quem a formou e dá sentido pleno ao que é humanidade. Ele não é uma instituição, e ainda que tentem institucionalizá-lo, isso não se dá pois ele não pode ser instituído.

Tudo o que precisava ser feito já foi feito; está feito, é uma base de duração interminável, de uma vez por todas, disponível a todos, sempre. Se é óbvio que é Jesus Cristo de quem falo, basta você decidir que ele seja sua via de conversão – e ponto de convergência.

Os becos podem continuar no mesmo lugar, mas você identifica e muda de rota – e seu nariz volta ao formato original.

Por ANG

Questionando-nos – 1

Não será o limite de nossa fé que limita nossa visão de Deus, no sentido de Deus ser para nós o tanto que nossa fé diz que o Pai é, e não quem de fato ele é?

Deus não é capaz de nos amar previamente a ponto de não necessitarmos clamar ou fazer esforço para ganhar o favor dele, seja através de louvor, sacríficio, dinheiro, doação ou humano fazer?

Obrigado. Quem dera haver o “Por nada”.

O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro deu uma valiosa entrevista ao caderno Aliás do jornal O Estado de São Paulo, publicada na edição de domingo, 20 de abril de 2008. Versando sobre o assunto de certo modo desprezado por muitos, o esforço para usurpar terras indígenas em Raposa Serra do Sol – Roraima, por interesses de rizicultores (6, para ser específico) e políticos (dos quais os 90% na região nem sequer são nativos), Viveiros de Castro elucida, expõe equívocos e interesses escusos, sem denuncismo, mas esclarecendo.

Material sem dúvida muito útil para missionários e cristãos ligados à tarefa. Mas não só a estes: Enquanto terra indígena for disputada a tapas jurídicos e corporativistas, ignorando direitos individuais, e o homem de cultura indígena for tratado feito mobília em sua própria casa, a pregação tem obstáculos e a fé corre risco de ser imposta, violando vontades e ficando estéril de Deus. Imposição humana de fé não é coisa cristã; Deus bate à porta, não derruba ela à pontapés.

O agravo da situação viria de que “Os índios não acreditam na idéia de crer, são indiferentes a ela (…)” – viria, caso não houvesse a obra do Espírito no indivíduo ao crer (afinal, antes dessa obra, todo cristão também foi indiferente ao crer). Sem o Espírito a evangelização pode ferir a alma, pode gerar recusa em ouvir, “e como ouvirão, se não há quem pregue?”; a imposição suscita a anulação de quem prega pela ebulição sentimental do ouvinte, seja pelo viés do ultraje/revolta ou da languidez/letargia, e o conseqüente ignorar da anunciação do evangelho.

Certo dispositivo presente na questão de Roraima, interessante a todos os cristãos, não se dá só em meio a tribos e políticas, sempre com os mesmo atores e nos mesmos cenários, só no contexto da evangelização. Se dá também dentro de igrejas e nas relações entre cristãos e outras pessoas: é a imposição aos cristãos pelo homem em meio a um ambiente conturbado; diz-se até que ela vem de Deus, mas pelos seus efeitos e origem isso não se comprova; o Espírito sinaliza, mas o crente olha noutra direção. O ser se dobra a severidade como ela sendo expressão da vontade divina. É a ilusão travestida de fé que é instalada no próximo, e ainda hoje não se leva muito em conta, nem mesmo após os efeitos devastadores terem se dado no indivíduo. Ela não se dá apenas em ambientes neopentecostais ou onde o dogmatismo marcha resoluto, como gostam de pensar muitos. Por outro lado, também existem pessoas e ambientes cristãos livres disso, há que se fazer justiça.

Ao fim da entrevista o antropólogo disse “Enfim, para os indígenas, cada ser é um centro de perspectivas no universo. Se eles fizessem ciência, certamente seria muito diferente da nossa, que de tão inquestionável nos direciona a Deus, ao absoluto, a algo que não podemos refutar, só temos de obedecer.”.

Se a ciência direciona a Deus, não haveria ateísmo em meio científico (embora se afirme que ateísmo não parte de uma crença, mas de uma rejeição dela). Se é pela via do inquestionável que se chega a Deus, então pelo buscar a Deus não se pode encontrá-lo (visto que busca sempre parte de um questionamento interno – Onde está? Como acesso? Há algo mais?); todavia, se verifica o buscar-encontrar. Há imprecisão em dizer que o homem não pode refutar Deus; ele é livre para fazer isso e o faz, a questão é se a refutação logra êxito. Não se é obrigado obedecer a Deus, mas importa mais obedece-lo do que aos homens ou a si mesmo, esse é o entendimento cristão.

Enfim, não é incomum ninguém incorrer no erro que aponta.

Se desejamos ser chamados filhos de Deus, também é coerente sermos pacificadores, além de estarmos em Cristo. Em questões externas, como a de Roraima, ou internas, quando somos quem impõe ou ao aceitarmos imposições no ambiente que se supõe o da fé.

Por ANG

A entrevista: http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup159735,0.htm


Pois é…

“Meu mais recente esforço de fé não é do tipo intelectual. Eu realmente não faço mais isso. Mais cedo ou mais tarde você simplesmente descobre que há alguns caras que não acreditam em Deus e podem provar que ele não existe e alguns outros caras que acreditam em Deus e podem provar que ele existe – e a esse ponto a discussão já deixou há muito de ser sobre Deus e passou a ser sobre quem é mais inteligente; honestamente, não estou interessado nisso.”

Donald Miller

Autor de “Fé em Deus e pé na tábua”, e “Como os pinguins me ajudaram a entender Deus”, ambos publicados pela Thomas Nelson Brasil.

Donald Miller cresceu em Houston, no Texas. Aos 21 anos, ele saiu de casa e viajou pelos Estados Unidos até seu dinheiro acabar em Portland, Oregon, onde ele mora até hoje. Don é diretor da revista eletrônica The Burnside Writers, que procura apresentar uma alternativa ao que ele chama de “Cristianismo de franquia”. Fundador da The Belmont Foundation, uma associação filantrópica que tem como objetivo criar programas de mentoria para rapazes sem pais. Don também é autor do livro Blue Like Jazz, que esteve presente por várias semanas na lista de livros mais vendidos do jornal The New York Times. 

Uns comercializam, outros oferecem

“No mundo moderno, pelo contrário, os homens entendem liberdade como o fato do sujeito dispor livremente de sua própria vida e de sua propriedade e liberdade coletiva como o fato de corporações políticas, povos ou estados disporem soberanamente sobre seus próprios interesses. Aqui a liberdade é entendida como o ‘direito de autodeterminação’ do indivíduos ou dos povos. Liberdade aqui é domínio sobre si mesmo”.

“Mas para a fé cristã a verdadeira liberdade não consiste nem na compreensão de uma necessidade cósmica ou histórica, nem no dispor com autonomia sobre si próprio e sobre sua propriedade, mas sim no ser tocado pela energia da vida divina e no ter parte nela. Na confiança no Deus do Êxodo e da Ressurreição o crente experimenta esta força de Deus que liberta e desperta, e dela se torna participante”

Jürgen Moltmann

Moltmann nasceu em 18 de abril de 1926 em Hamburgo. Com dezesseis anos foi convocado pelo exército alemão onde teve, como ele disse, “uma carreira breve e sem glória”. Após seis meses na guerra, foi feito prisioneiro no campo de concentração de Northon-Camp, na Inglaterra. Ali se encontravam também alguns professores de teologia que ministravam lições aos seus companheiros; dentre eles, Jürgen Moltmann. Em 1948 retornou para Alemanha onde deu continuidade nos seus estudos na Universidade de Göttingen até 1952. De 1953 a 1958 exerceu atividades pastorais em Bremen. Foi especialista em História dos Dogmas e Teologia Sistemática. Iniciou sua docência em 1958 passando pela Escola Kirchliche Hochschule de Wuppertal, pela Universidade  de Bonn, Universidade de Tübingen, Due University – EUA (no caráter de professor visitante).

Foi um dos fundadores mais notórios da Teologia da Esperança cujo pensamento assemelha-se com as Teologias Feminista, Negra, Política, de Missão e Libertação. Em sua teologia ele aborda a escatologia, onde a esperança tem seu objetivo cumprido não na especulação, mas na praxis em meio a ação política e a revolução.  Segundo seu conceito, a esperança cristã é criativa.

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