Galhofas
by angszam
Riu?
Depois do riso, o que? A próxima pândega?
Ante a imagem, se a leitura for psicologizante, pode muito bem dar em teses, em academicismos, conclusões supositórias estéreis, por mais que se negue. Elitismo intelectual que frequentemente se acha superior a vida. No fim se acha, por exemplo, diante de filmes, que melhor interpreta o psicólogo do que o especialista audiovisual que faz. Aí começa o jogo infantilóide tacanho pela melhor fatia de bolo.
Se a leitura abusar da livre autoria, se sobrepõem o valor inicial no que se lê, usando exterioridades. Sim, pode não ser um problema. Não é só uma elite que sabe fazer arte. Fato é que o formalismo pode ser uma escolha estética, mas interessante como frequentemente é um erro no caso de muitos iniciantes na criação imagética. A forma criada, sozinha, não se faz.
Nem toda imagem é de fato feita pra livre (re)interpretação. Pela substituição da intenção inicial pode acabar em sufocamento (a obra ainda é a mesma obra? Peraí, estamos aqui discutindo o que, então?). Com isso a kitschização veda pra duas questões fundamentais que remetem a seres/pessoas (como a arte também se torna apenas coisa a serviço de qualquer outro interesse, menos arte): ao criar uma imagem o autor tem intenção – que perder de vista pode ser danoso (só fazer rir?… pode muito bem ser uma qualidade banal de autoria, ainda que se mascare com discurso); e o autor expressa outros de seu convívio, cultura e até além.
Nunca é só o riso, por mais que nós passemos a vida rindo.
Letargia. Olha no que deu, talvez, aquele seu “Ah, quer saber, vamo pas cabeça!”, ou o seu “Não, tem que ser assim, porque tá escrito assim” ou “Eu sei o questoufazendo!” ou “Não, tudo bem, deixa” ou… imaginar um passado é fácil quando se tem o hábito de criar. No longo prazo, mais letargia.
Pra nós não é sempre que a troça é só aquela boa idéia que a imagem manifesta. É também um estado de coisas no entorno, na aspiração, em conformidade, sob cinismo e outros. Variadas nuances de conteúdo humano que determinam a forma. Some-se a isso o potencial alto de abertura interpretativa devido à montanha de opções de manipulação disponíveis (e nada de Photoshop não, tem interferência discursiva de monte). Se de um lado temos um alerta de nós mesmo, de outros temos a construção indireta da percepção alheia do que somos. Ortega Y Gasset na cabeça: “Eu sou eu e minha circunstância”.
Não é feio rir. Ensinar a rir?… Esquece o riso um pouco.
A idéia de igreja e fé que as pessoas têm além de você, é também a idéia que você assume pra si, e a decisão que você toma em ser a igreja que quer e da fé que quer ter. Isso não quer dizer que você sozinho é que faz verão – na verdade, o riso é produto do que muitos de nós fazemos. E claro que Deus faz parte do processo – mas sim, você é capaz de tirá-lo desse processo, ou seguir apenas munido do processo.
Artistas e autores costumam saber muito bem o que fazer com o processo.
Você sabe do que é capaz de fazer com igreja? Sabe do que foi e tem sido capaz?
Créditos ao menos de postagem no Facebook: http://www.facebook.com/nanatomendes
Uma reação de quem viu: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=168169893282651&set=a.130469530386021.18368.100002689253206&type=1&theater
