Por um momento nem bom nem mau.

by angszam

Indivíduos, coletivos e sociedades cometem bondades e maldades.

Vamos então dizer que são bons ou maus. Vamos procurar as extensões até influências do bem ou do mal em determinadas pessoas. Vamos no máximo intuir do lado de fora de alguém um âmago cosolidado e secreto de mal e bem.

Só que indivíduos, coletivos e sociedades, bons ou maus, tanto oprimem como são oprimidos. Crentes e descrentes, humanos e animais, velhos e crianças, países desenvolvidos e em desenvolvimento, sempre lidam de algum modo com a opressão. O bom oprime em algum momento; o mau é oprimido simultaneamente ou não – e na dança da opressão, sem deixar de ser quem são, trocam só de posição.

Tanto bons como maus sempre precisam lidar com arrependimento, reconciliação, transformação – porque sem amor ninguém vive (talvez, meramente sobreviva).

Por outro lado, limites podem oprimir bons ou maus em dadas circunstâncias, quando já não mais funcionam como controle. Nessas horas uma das pessoas que mais tememos é Deus: não há limites, e qualquer chance de detectar algum novo controle pra replicar em nosso momento, esta além (mas a gente sabe que funcionaria…). Quando tudo se mostrou limites e não controle, Deus é a referência do nosso fracasso. Quanto mais o “mantivermos” distante, mais vai o referente deixando de ser fracasso e se torna uma referência de nossa vaidade, ou de soberba, de auto-ilusão, de diversão, de poder, de prazer, de sobrevivência, de posição social que Deus deu, e outras mais (algumas, que por si mesmas, nem nocivas seriam).

Escolhas entre dispositivos-limite: continuar espelhando pelo limite-desfuncional, pelo limite-teimosia, pelo limite-bom-enquanto-durar, pelo limite bom-enquanto-ninguém-tá-vendo.

E não notar - ainda? – que Deus não pode ser mantido distante (ao mesmo tempo que não impõe sua presença). Que Ele em nenhum momento oprime (cai na real: um monte de gente já oprimiu pelo dispositivo limite-Deus – e isso não é Deus, como oportunistas insistem). Que Ele continua mantendo disponível a Graça (como) em Jesus Cristo.

A coisa é mais ou menos assim: ainda que nós sempre sejamos o que somos dentro de limites e dispositivos, podemos espelhar um Deus ilimitado, que pode usar ou não conosco dispositivos dEle, pra usarmos ou não.  dispositivos genuínos, funcionais, desconectados da regência da opressão. Limitados refletindo ilimitação real; não mais a travestida limitação, que logo desaba. Não é poder, é uma realidade funcional.

O mundo que todo mundo sabe que não quer, é o rotineiro de inúmeros procedimentos de opressão. Ou nos rendemos à estupidez de manter os mesmos procedimentos de sempre, ou sacamos que temos a oportunidade de romper com eles e também adotarmos melhores procedimentos que precisamos.

Por mais que se teime, alternativas outras melhores que a ilimitação divina possa encontrar, a limitação humana não conseguirá nunca obter. Limitados apostam corrida – mesmo quando não é caso de competição.

Moralismo e violência são subextratos quando é caso da necessidade de nascer de novo. Perceba um instante: planeta Terra, sobrenome Nicodemos.